Éfeso, antiga e preservada

Éfeso, a cidade antiga mais bem preservada da Ásia Menor.

É um verdadeiro museu ao ar livre.  Esta bela cidade monopolizou a riqueza do Oriente Médio. Entre suas ruínas, estão o Templo de Adriano, os Banhos Romanos, a Biblioteca, o Odeon e o Teatro de Éfeso. O local é realmente impressionante, suas ruas largas e repletas de história e beleza nos enchem de curiosidade e a imaginação nos leva para os tempos antigos onde as pessoas que ali viviam desfrutavam da beleza arquitetônica e suas obras de arte. Durante os séculos I e II tinha uma população de 250.000 habitantes.

Por muito tempo, essa foi a segunda cidade mais importante do Império Romano, também de grande relevância para o mundo pagão e referência na difusão do cristianismo. Está localizada na parte ocidental da Ásia menor, na região da Anatólia, próximo ao Mar Egeu, a cidade de Éfeso foi construída por volta de 1000 a.C. pelos gregos. As escavações na região onde se localiza a cidade começaram há 100 anos e, segundo arqueólogos, apenas 25% foram redescobertos.

Foi no período de domínio grego, em Éfeso, a construção do Templo de Ártemis, a deusa grega, denominada de Diana pelos romanos, a protetora dos bosques, da caça e dos animais selvagens. O monumento foi uma das sete maravilhas do mundo antigo e se tornou centro de veneração à deusa. Era composto por 127 colunas de mármore dispostas em filas duplas, todas decoradas com obras de arte, tendo cada uma 20 metros de altura. Tinha 138 metros de comprimento e 71,5 metros de largura.

A prosperidade econômica de Éfeso possibilitou a construção de várias edificações memoráveis. Suas ruas pavimentadas com mármore nos levam a monumentos grandiosos, que merecem ser destacados, como é o caso da Biblioteca de Celso (Governador romano), uma das edificações mais conservadas do sítio arqueológico.

Foi a terceira mais importante biblioteca do mundo antigo, ficando atrás apenas das bibliotecas de Alexandria, no Egito, e de Pérgamo, na Grécia. Chegou a ter mais de 12 mil rolos de manuscritos. Seu interior, como era comum em Éfeso, era pavimentado em mármore.Em sua fachada, encontram-se as estátuas de quatro deusas: Sophia, que representa a sabedoria; Episteme, o conhecimento; Ennoia, a inteligência, e, por último, Arete, representando a bravura. Segundo historiadores, essas seriam as virtudes de Celso durante sua vida. As ruínas da biblioteca são uma representação clara do estilo arquitetônico dos romanos nos primeiros séculos.Em frente a Biblioteca, segundo nosso guia, havia uma “Casa do Amor”, um prostíbulo que era conectado através de um túnel com a biblioteca. Assim os maridos infiéis visitavam a biblioteca com a desculpa de se tornarem mais cultos mas iam através deste túnel até o local onde as mulheres estavam para se divertir e não atrair atenção das pessoas da cidade.O quanto isso era eficaz não sabemos mas as traições e suas malandragens nunca deixaram de acontecer desde a antiguidade.

Algo deve ser dito sobre a beleza das flores e as lindas árvores que encontramos não apenas em Éfeso, mas em todos os locais que visitamos. Parece que a natureza estava sempre em festa para nos receber, um show à parte!

A história da própria humanidade passou pela cidade, aqui falamos de um dos berços de antigas civilizações. Fazia parte do império persa antes de Alexandre, o Grande. Passou pelo domínio egípcio até cair nas mãos dos romanos, se tornando a “capital” da Ásia menor e uma das cidades mais importantes do império romano pelo seu porto muito bem localizado.

Éfeso também ficou famosa pelo seu grande estádio, com capacidade para 25 mil pessoas, três andares e 18 metros de altura. O espaço era usado para eventos de música, cerimônias religiosas, discussões sobre questões da cidade, jogos e lutas de animais com gladiadores (isso explica o grande cemitério desses lutadores que foi encontrado na cidade). Os gladiadores modernos ainda vagam pelas ruínas da cidade, às vezes entretendo turistas ou entediados buscando distrações em seus celulares…

Esta importante cidade também foi palco das pregações do apóstolo Paulo, que viveu na cidade difundindo o cristianismo. No início, os ensinamentos do apóstolo de Cristo não tiveram muita aceitação pela população local, o que só ocorreu depois de ‘batalhas’ incansáveis. A edificação chegou a ser destruída por cristãos em vingança aos sofrimentos ocorridos no local na Era Romana. Muitos cristãos eram obrigados a lutar com animais na arena. A igreja que ali existia foi destruída, juntamente com muitos outros edifícios, em 401 d.C. por uma multidão liderada por São João Crisóstomo. O imperador Constantino I reconstruiu boa parte da cidade e ergueu novos banhos públicos, porém a cidade foi novamente destruída parcialmente por um terremoto, em 614.

Ao caminhar por suas ruas e belos edifícios fica muito fácil imaginar a beleza e suntuosidade deste local, hoje estão em ruínas mas ainda sim o local é belíssimo, com árvores floridas que mais parecem miragens. Seria necessário vários dias para conhecer seus detalhes e toda sua riqueza histórica. Este é um dos locais mais lindos e marcantes de minha viagem à Turquia.

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