Sobre a Admiração

Uma vez, há muito tempo atrás, eu passava por uma crise existencial e amorosa profunda; algumas dores já estavam evidentes e já não sabia se “comprava uma bicicleta” ou investia naquele relacionamento que me puxava cada vez mais pra baixo. Fui me aconselhar com uma amiga sábia, mais experiente e vivida, e recebi um dos melhores conselhos sobre como saber quando deveria ficar ou deixar um relacionamento acabar. Essa amiga me disse: “Antes de se decidir se esta pessoa é digna ou não de seu amor, pois com o passar do tempo todos os amores mudam, esfriam, esquentam, te energizam ou não, reflita se você ainda sente admiração pelo seu parceiro. Se ainda houver admiração, você conseguirá passar a vida toda ao lado dele”. 

Ao longo de minha vida, esta sabedoria me iluminou, serviu de medida e referência para todos os meus relacionamentos amorosos, de amizades e profissionais. Não consigo ser amiga, amante ou trabalhar com quem eu não admiro, simplesmente não existe esta possibilidade. Como dizia Aristóteles, “não amamos a beleza, amamos as ações”, ao escolher os companheiros de vida, devemos considerar suas ações mais do que suas palavras ou silêncios. Amor não é um sentimento abstrato, amor são ações de amor. Às vezes, acabamos por nos acomodar em relações que drenam nossa vitalidade e deixam marcas profundas, cicatrizes na alma. O que não sabemos é que a nossa capacidade de regeneração e renascimento é muito superior a qualquer dor que possa nos acontecer. Temos alma de fênix e das cinzas renascemos, belas e fortes para abrir nossas asas e voar. 

A jornada pode parecer meio solitária, por vezes. Buda disse, em uma passagem do Dhammapada, “Se jornadeando não encontrar alguém igual ou superior a você, siga sozinho, não há amizade com tolos”. O tempo perdido com pessoas que não acrescentam nada de positivo pode servir de lição, mas pode ser também uma grande perda de tempo. E esta é a única coisa que não podemos recuperar, é nosso maior tesouro.

Quando mudamos a direção de nossas vidas, nunca sabemos o que está por vir. Podemos questionar o que é mais importante, o destino ou a jornada? Um mestre de sabedoria responderia, nem um nem outro, o mais importante é a companhia. 

Siga ao lado de alguém que seja compassivo, que ande “junto de seu passo”. Nem a frente, nem atrás, mas ao lado. Que aja com o coração e que deixe a razão para os cálculos e negócios. Que aprecie sua companhia, sua conversa, que torça e apoie a concretização de seus sonhos e, se possível, que sonhem juntos!

Perceba que sua capacidade de amar está proporcionalmente relacionada com sua capacidade de reconhecer quando está sendo amada. E, para finalizar, um pensamento de Frida Khalo que vale como um lembrete: “Onde não houver amor, não te demores.”

Admiração é um amor que nunca morre. Fica a dica!

Regina Proença

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