ESTRATÉGIAS DE CULTURA DE PAZ E EDUCAÇÃO SOCIAL, EMOCIONAL E ÉTICA – POTENCIALIZANDO O APRENDIZADO DE ADOLESCENTES E CRIANÇAS.

Conheça o programa realizado pela equipe do Coletivo Cultural Fora da Caixa, em parceria com o Educandário e Instituto André Luiz, em Sorocaba, S.P. no ano de 2018.

Liderança para o Futuro” é um programa desenvolvido para crianças e jovens entre 10 e 19 anos, que contempla uma educação social, emocional e ética, onde aprendem as estratégias de não violência criadas por Mahatma Gandhi para lidar com os desafios encontrados no contexto escolar como bullying, intolerância, racismo, etc.
São realizados encontros de estudos, dinâmicas em grupo e atividades supervisionadas no intuito de criar relações mais harmoniosas e altruístas entre os membros do grupo e aprimorar os relacionamentos sociais e o autoconhecimento. Para isso recorremos a pesquisas de neurociências, compaixão e mindfulness e ensinamos práticas de atenção, concentração, meditação e diálogo. O programa é compostos por três ciclos que se inter-relacionam e possibilitam uma visão sistêmica do ser humano e suas relações a cultura e com o meio. O objetivo principal é fortalecer a inteligência emocional, resiliência, valorização da diversidade e resolução pacífica de conflitos. Encorajamos os participantes a se engajarem em projetos de voluntariado, proteção ao meio ambiente, causas sociais e a participação ativa na comunidade.

Este artigo é resultado da implementação do programa realizado pela equipe do Coletivo Cultural Fora da Caixa: “Liderança para o Futuro”, com dois grupos de alunos do Educandário e Instituto André Luiz que tem entre 10 e 19 anos.

O programa vai além da prevenção de distúrbios, almejamos plantar as sementes da ética e compaixão nos corações dos participantes, através da construção das bases do auto- conhecimento, respeito, aceitação, meta-consciência e autoconfiança, aumentando assim suas competências como ser humano.
Através de ciência podemos confirmar o que os meditadores budistas e de outras tradições antigas já sabiam ou intuíam: a meditação baseada na atenção, conhecida como Mindfulness e a prática de compaixão podem melhorar as condições de saúde que vão desde o reforço do sistema imunológico como um todo, o alívio dos sintomas de depressão, ansiedade, compulsões, estresse, burnout, entre tantos outros problemas de ordem mental, física e emocional.

Em várias partes do mundo ensinamentos sobre meditação, compaixão, inteligência emocional, altruísmo e não-violência estão sendo adaptados e utilizados no contexto escolar, empresarial e clínico para criar uma melhor qualidade nas relações sociais e diminuir os efeitos do estresse, depressão, ansiedade, entre outros.
Jon Kabat-Zinn, fundador e diretor executivo do Centro para Mindfulness na Medicina, Cuidados com a Saúde e Sociedade (Centre for Mindfulness, Health Care and Society) da Universidade de Massachusetts foi o precursor no início dos anos 70 na intervenção Mindfulness Based Stress Reduction (MBSR) no tratamento de prevenção de recaídas em pacientes com depressão, criando a partir de suas pesquisas um centro de difusão e estudo dos benefícios promovidos pelas práticas (KABAT-ZINN, 2003).
As revisões nos estudos onde pacientes se submeteram ao programa MBSR mostram que houve uma diminuição da depressão, ansiedade e estresse psicológico em pacientes com doenças crônicas e apontam a redução do pensamento repetitivo e autodepreciativo. As práticas são apresentadas sem a vinculação a nenhuma tradição religiosa, mas com base no senso comum e pesquisas cientificas.

Metodologia
O programa “Liderança para o Futuro” trata-se de um programa piloto de caráter inovador, dividido em 3 ciclos, sendo eles: social, emocional e ético e foi realizado quinzenalmente com a duração de quatro horas entre Junho e Novembro de 2018 no Educandário e Instituto André Luiz, uma instituição beneficente que oferece aulas no contra turno escolar para crianças e jovens que estudam na rede pública e destacam-se por seu potencial acadêmico e suas notas. São oferecidas aulas de 10 matérias presentes no currículo escolar nacional obrigatório, além de inglês (através do nosso programa Free English), espanhol, xadrez e programação de computadores, com o propósito de potencializar o rendimento dos alunos e ajudá-los a conquistar bolsas de estudo em boas escolas para o colegial e/ou universidade. A amostra deste programa foi composta por 35 jovens com idades entre 10 a 19 anos.

No ciclo “social” o enfoque está nos movimentos de conquista de direitos civis que utilizaram as estratégias de não-violência criadas por Mahatma Gandhi e foram apresentados através de documentários, aulas expositivas e vivências.
O ciclo ”emocional” aborda as práticas contemplativas de meditação, atenção, concentração e ensina aos participantes diferentes maneiras de lidar melhor com emoções perturbadoras como raiva, ansiedade e estresse. São apresentadas algumas pesquisas recentes de neurociência, inteligência emocional, autocompaixão, compaixão e altruísmo.
O ciclo “ético” reflete com os alunos sobre as principais escolhas existenciais e motiva os participantes para engajarem-se em ações que promovam o bem comum, que melhorem as condições de vida e beneficiem a comunidade e o planeta. Abordamos neste ciclo temas como: felicidade, propósito, liderança, ética, ecologia, educação, saúde e qualidade de vida.

Os resultados do programa são mesurados através dos seguintes instrumentos: observação não estruturada, entrevista não estruturada e questionário de avaliação.
Cada encontro é realizado por um ou dois facilitadores, que coordenam as atividades e realizam a observação não estruturada registrando os pontos importantes para melhoria do projeto, os encontros são filmados e fotografados. Posteriormente são avaliados em reuniões de equipe, para verificar se o programa está atingindo os objetivos definidos e aprimorar a atuação dos facilitadores.
As entrevistas são realizadas durante os encontros, num formato de roda de conversa. Ao final de cada ciclo, é aplicado um questionário aberto onde os alunos devem comentar sobre suas percepções acerca dos temas apresentados durante os encontros. Também são aplicados questionários de avaliação de estresse, autocompaixão e burnout no início e ao final do programa, para avaliar o impacto dos programa “Educação para Paz” e “Liderança para o Futuro” (PIRES et al., 2015).
Como forma de difundir e expandir o conhecimento o percurso do programa será publicado na revista digital Openzine mantida pelo Coletivo Cultural Fora da Caixa, com a sequência dos encontros, descrição dos temas e vídeos apresentados no intuito de inspirar outros educadores na criação de um currículo que promova a educação social, emocional, ética e a não-violência.

Estrutura do Programa
Durante os encontros serão realizadas aulas expositivas, dinâmicas em grupo, apresentação de vídeos, textos, rodas de conversa e práticas de meditação, tai chi e relaxamento. Existem 3 dimensões principais que norteiam os encontros: “Eu comigo mesmo”, “Eu com os outros” e “Eu com o planeta”.

Eu comigo mesmo
Como podemos nos conhecer melhor e desenvolver qualidades que possam ajudar na redução da ansiedade, estresse e nos motive a mudar hábitos negativos e substituí-los por ações saudáveis? Como podemos ser felizes e auto realizados? Como fazer melhores escolhas e planejar o futuro que desejamos? O que eu faço da minha vida?

Eu com os outros
Como melhorar a qualidade dos meus relacionamentos? Como dialogar sem discutir? Como posso interagir com meus familiares e amigos sem deixar de ser autêntico e evitar conflitos desnecessários? Como se libertar do peso das opiniões alheias e conviver pacificamente com as diferenças?

Eu com o planeta
Como mobilizar o maior número de pessoas engajadas em proteger o planeta e participar ativamente em movimentos de ajuda a causas nobres, como: salvar vidas, cuidar de animais abandonados, fazer campanhas de arrecadação de fundos e doações para entidades assistenciais, se envolver na criação de hortas comunitárias, mutirões, campanhas virtuais, etc.
Um dos benefícios dos programas e a criação de um ambiente favorável e harmonioso entre os professores e alunos. Fortalecendo os laços entre professores, alunos e comunidade; diminuindo a vulnerabilidade social e psicológica. Reduzindo o índice de abandono escolar e fortalecendo a autoconfiança em relação ao potencial de desenvolvimento de cada um.

Resultados e Discussões
O programa tem previsão de continuidade entre fevereiro e novembro de 2019 e os resultados coletados até o momento referem-se ao período entre junho e dezembro de 2018 e mostrou-se alinhado com os objetivos definidos. Durante os encontros observamos que os participantes apresentaram uma melhor integração ao grupo e refletiram sobre os temas apresentados de forma desembaraçada e profunda. Houveram vários relatos de estórias pessoais de situações de bullying, intolerância e preconceito racial e social vividos pelos alunos e conhecidos.
A maior parte do tempo o grupo permaneceu unido e manteve um apoio empático enquanto ouviam os relatos dos colegas. Muitos relataram não conhecer estratégias que pudessem ser utilizadas nas ocasiões de divergência tanto no ambiente familiar quanto escolar, e sentiram que após os encontros onde aprenderam sobre não violência e exemplos de resolução pacífica de conflitos, estavam mais confiantes e preparados para se expressar mais livremente, lidando de forma mais equilibrada com as emoções de raiva, rejeição e impotência. Mesmo os mais tímidos, que inicialmente não gostavam de expressar opiniões, ao decorrer dos encontros começaram a compartilhar com o grupo suas percepções sobre os temas apresentados.

Panorama dos Encontros
No primeiro encontro do programa de “Liderança” foi aplicado um teste vocacional, seguido de uma roda de conversa sobre profissões e aspirações futuras. Alguns ficaram surpresos pelo alinhamento do resultado com as escolhas que eles já tinham anteriormente, enquanto outros vislumbraram novas possibilidades de profissões e/ou talentos a serem desenvolvidos.

Durante os encontros do primeiro ciclo foram apresentados 2 episódios do documentário: “Uma força mais poderosa – Um século de conflitos não violentos” e também “Olhos azuis” de Jane Elliott, uma professora americana contemporânea de Martin Luther King que realizou com seus alunos um exercício onde eles vivenciaram situações de discriminação e racismo.

Após as exibições foram realizadas rodas de diálogo onde os alunos relataram suas percepções. Abaixo alguns comentários sobre o documentário “Olhos Azuis”: “Achei importante esse documentário sobre racismo para pelo menos saber como é, porque não tem como eu falar que sei como é, porque não sei. E sabendo elimina boa parte do racismo”. Através deste comentário, feito por um jovem branco, podemos perceber como o documentário despertou empatia no aluno, contemplando o objetivo de promoção da paz e tolerância propostos pelo programa.
Outra aluna disse: “É uma lição de vida, uma pessoa (se referindo a Jane) para se ter como referência. Quando se tem um assunto e não é falado, as pessoas não dão importância, e continuam fazendo (propagando o racismo). É uma maneira de fazer com que as pessoas se coloquem no lugar do outro. Excluir as pessoas não atrapalha só o momento, mas o futuro também. Nem tenho o que falar, o vídeo inteiro é uma lição”. Através do comentário desta aluna podemos perceber o quanto o documentário foi impactante. Em seguida outra aluna negra deu um depoimento sobre uma situação em que ela e sua mãe sofreram discriminação social e racial: “fui a pé com minha mãe ver um curso, (…) chegou uma moça de carro, branca, e o pessoal do curso abraçou e tocou na mão dela, e pra gente nada. Eu disse que fazia parte do grêmio mas ela rebaixou o trabalho da minha mãe, como se eu não fizesse nada de importante, eu saí de lá e chorei, porque aquilo foi muito triste”.

Depoimentos como este cortam nosso coração mas são importantes na criação de vínculo e apoio entre os integrantes do grupo, estimulando um ambiente seguro para se expressarem, podendo ouvir e ser ouvido e principalmente ser acolhida pelo grupo. Também foi possível perceber o pessimismo de alguns alunos com relação a mudança social, como neste comentário de uma aluna: “a sociedade sabe o quanto é ruim e mesmo assim faz (preconceito e discriminação racial), acho que as pessoas vão sair daqui e esquecer o que viram”. Através desse comentário houve também a oportunidade de refletir sobre como podemos aplicar as estratégias de não violência para realizar uma mudança.
Ainda neste encontro, houve a reflexão de como a cultura do local pode transformar-se em impossibilidade de escolha (ex: códigos de vestimenta, casamentos arranjados, violência estrutural, discriminação religiosa e racial) e resultar em falta diálogo e ética. Sobre a postura de Jane Elliot, um dos alunos comentou: “ela foi muito bondosa de fazer o workshop e dar oportunidade para as pessoas serem melhores. Se você se põe no lugar das pessoas e sente o que as elas sentem, você não vai fazer mais isso”.
Uma das alunas, que relatou viver em um ambiente repressor, teve um depoimento especial, falando sobre os benefícios e o que sente do programa. “Fico contando os dias para chegar essas aulas, porque nunca achei que eu poderia conversar e falar sobre esses assuntos, sem ter que entrar em conflito”.

Aplicamos um questionário onde os alunos puderam relatar quais assuntos teve o maior impacto em suas ações, qual estratégia de não violência utilizaria na sociedade atual, qual era a avaliação de nosso conteúdo e atividades até aquele momento e puderam escolher entre vários temas uma aula bônus que tinham interesse em saber. As respostas foram incríveis e guiaram a sequência de temas dos encontros seguintes.

Algumas das respostas que obtivemos:

Pergunta: Qual estratégia de cultura de paz você poderia utilizar para melhorar sua vida e a comunidade?

Não-violência e protestos pacíficos, pois estes tipos de acontecimentos usam geralmente violência e também podem deixar pessoas mortas, com essas ideias pacificas a vida poderia ficar melhor”. (Vitor, 10 anos)

Uma das estratégias que achei bem interessante e eficaz é o boicote, pois as pessoas que praticam conseguem mostrar sua voz, sem precisar dizer nada”. (Luiza, 15 anos)

Achei muito boa a ideia de Gandhi de não usar a violência, porque as pessoas hoje em dia só pensam em bater, matar e não é assim que se resolvem as coisas. Para os produtos que ainda são testados em animais podemos usar o boicote e diminuir a venda” (Ana Carolina, 13 anos)

Pergunta: Qual dos documentários e temas de nossos encontros teve o maior impacto na sua vida e por que?

O mais importante para mim foi o do Mahatma Gandhi, quando ele usou a estratégia de desobediência civil justificada, porque milhares de pessoas se juntaram a ele e não reagiram à violência das autoridades”. (Bianca, 14 anos)

“Olhos Azuis, de Jane Elliot, porque ela faz que todo mundo estivesse na pele do negro, ela fez com que pessoas brancas, de cor de olhos diferentes, principalmente azuis e fez elas sentirem o racismo e o bullying”. (Miguel, 12 anos)

O documentário de Martin Luther King, porque vimos que eles sofreram muito, com dificuldades eles lutaram por seus direitos e todos se ajudaram”. (Ana Julia, 12 anos)

O que mais me impactou foi “Olhos Azuis” pelo fato de ainda vivermos em uma sociedade racista. A forma como Jane Elliot atuava com o racismo contrário, para mim foi extraordinária pois fez com que as pessoas realmente se sentissem como os negros”. (Camilla, 15 anos)

Pergunta: Gostaríamos de saber sua opinião sobre o programa de Liderança para o futuro, fique à vontade para dizer do que gostou mais, sugerir mudanças e criticar.

Achei muito útil a realização de todos os encontros, pois eles me ensinaram muito sobre igualdade de todos e como trabalhando juntos temos mais forças. Depois de ter passado por esses encontros, a minha maneira de ver as outras pessoas mudou. Eu confesso que eu cometia algumas coisas erradas na escola, como piadas preconceituosas, mas agora eu sei o quão errado isso é”. (Caio, 14 anos)

O projeto é maravilhoso, me senti meio ignorante pois eu não sabia de metade das coisas faladas e sem perceber cooperava com a sociedade opressora”. (Patrick, 14 anos)

Eu gostei muito do formato de apresentação que nós tivemos, achei muito eficaz o modo que aprendemos sobre não-violência, foi uma experiência muito enriquecedora e agradável. As coisas mais legais foram os debates, que nos ajudaram a entender o ponto de vista dos outros e a repensar algumas de nossas ideias”. (Gabriel, 15 anos)

Foram sentimentos muito diferentes, os comentários e documentários me fizeram refletir por pelo menos três dias, algo que realmente me tocou muito e me fez lembrar de acontecimentos pessoais. Não pode ser posto em palavras tudo o que eu senti, foram coisas realmente profundas e que me fizeram evoluir. Uma ótima atividade, aguardo por mais”. (Gabriela, 15 anos)

Achei excelente essa ideia de mostrar e falar sobre os assuntos polêmicos na sociedade. Essa maneira nos faz refletir sobre nossos atos corriqueiros, pode nos mudar e fazer com que nos tornemos seres humanos melhores, com o convívio e respeito agradáveis, proporcionando maior contato em meios sociais. Esse programa é uma oportunidade que todas as escolas públicas e particulares deveriam aderir!!”. (Ana Carolina, 15 anos)

Entre os temas que eles se interessaram em conhecer estava a história de Malala Youseff, assistimos o filme que conta a trajetória dessa jovem paquistanesa que ganhou aos 16 anos o prêmio Nobel da Paz. As reflexões sobre a força moral, a luta pelo de direito de estudar e a liberdade de pensamento foram profundamente considerados. A identificação com as causas justas e pacificas foram imediatas e despertou o melhor em todos no grupo.

Os alunos também participaram de uma vivência chamada “Caminhada do Privilégio” com o facilitador Bruno Steves e puderam perceber o quanto sua condição de social é fruto de privilégios ou conquistas pessoais. Após a “caminhada” as conversas aconteceram em roda e os depoimentos foram emocionantes.

Assistimos também o filme “A Onda” (Die Welle) baseado em fatos reais, retrata a manipulação ideológica que foi realizada inicialmente como parte de um projeto acadêmico, mas que acabou por revelar sentimentos fascistas e provocou rupturas e violência entre os alunos da escola. Como estávamos em um período pré-eleitoral e o discurso de ódio e a violência em todas as mídias estavam a flor da pele, o filme foi um choque de realidade e ajudou a dissolver algumas opiniões mal refletidas e que incitavam a violência contra LGBTS, indígenas e negros.

Arte, música e filosofia também foram meios para elevar as reflexões e propiciar experiências mais suaves e culturais. Os alunos assistiram ao documentário de Alain de Botton sobre Epicuro e a Felicidade, as reflexões sobre consumismo, falta de auto estima, isolamento e ambições foram ricas e trouxeram à tona a simplicidade proposta por Epicuro, que acreditava que autonomia, liberdade, reflexões e amigos é o bastante para sermos felizes.

Visitamos com os alunos a exposição Yby-Soroc do artista Pedro Lopes, composta por 20 telas que retratam a história de nossa cidade desde antes de sua fundação. Foi uma experiência única, eles puderam conversar com o pintor e conhecer a trajetória de seu processo criativo e sua pesquisa, foi uma experiência sensacional para o grupo. Com o intuito de despertar a sensibilidade e a criatividade para arte realizamos uma oficina de criação de mandalas, onde ao som de música clássica eles pintaram e ficaram completamente entretidos na atividade, relataram ter saído do encontro em estado de graça.

Refletimos sobre a pesquisa do Dr. Masaru Emoto sobre a Mensagem da Água, assistimos ao documentário que mostra a realização das experiências e como as emoções, sentimentos e a música influenciam a formação das moléculas de água. Conversamos sobre as implicações deste conhecimento pois a maior parte de nosso corpo e planeta e formado por água.

Tivemos uma vivencia sensorial/musical com a professora e musicista Nathalie L. Vial, os alunos puderam sentir como a vibração do som altera nosso estado emocional e cerebral. E saber mais sobre a importância das habilidades musicais para o aprendizado da matemática, além de alguns estudos de neurociências neste campo.

Foi lindo participar da evolução do grupo e a criação de um ambiente de confiança, união, serenidade e concentração que os encontros propiciaram. As mudanças foram notadas por todos; professores e pais relataram mudanças positivas no comportamento de forma geral. Os jovens obtiveram excelentes resultados acadêmicos também, sendo este o principal intuito do Educandário e Instituto André Luiz, onde realizamos o programa de Liderança, que é uma instituição de educação solidária inovadora. Eles oferecem gratuitamente um ensino diferenciado e preparam jovens que vem de escolas públicas e são bons alunos para conquistar bolsas de estudos em escolas particulares e exames de admissão de universidades. Ou para programas como o Ismart, que patrocinam a vida acadêmica de alunos que se destacam por suas do colegial até a faculdade. Mais de 10 alunos que participaram do nosso programa conquistaram bolsas em boas escolas da cidade e dois foram adotados pelo programa Ismart. Realizamos uma matéria especial onde detalhamos o projeto em nossa revista pois aqui alongaria demais este artigo que trata de descrever o programa que realizamos em 2018. Convidamos a todos para assistir a entrevista com os fundadores em nossa revista Openzine.

Desafios para 2019
Pretendemos continuar a aplicação do programa de Liderança com os alunos remanescentes e novos alunos, aproximadamente 40 jovens entre 12 e 17 anos, os que deixaram o programa porque conquistaram bolsas de estudo serão convidados a continuar o programa aos fins de semana na sede do coletivo.
A partir de fevereiro retomaremos as aulas do programa no Educandário e teremos um novo desafio, um novo programa chamado Sementinhas, com aproximadamente 24 crianças entre 8 a 11 anos, onde teremos a oportunidade de aplicar o currículo SEE Learning desenvolvido pela Universidade de Emory. Esta será a primeira vez que apresentaremos este conteúdo a alunos desta idade e por isso é com imensa alegria que pretendemos estudar a melhor maneira de apresentar e aplicar os ensinamentos da Universidade de Emory. O currículo servirá como guia para desenvolver nossas atividades. Nosso maior interesse é incorporar os ensinamentos necessários para beneficiar o maior número de pessoas e multiplicar estas iniciativas em escolas públicas e particulares é nossa principal meta.

Conclusões
Os jovens que participaram do programa de “Liderança para o Futuro” relatam um grande benefício em participar dos encontros, demonstrando que as estratégias introduzidas foram eficazes na integração, comunicação, respeito e união do grupo. Houve um aumento da empatia, redução de bullying, ansiedade e fortalecimento de laços de amizade e respeito entre todos. Isso indica que a estrutura dos programas é favorável para se atingir os objetivos definidos. Através das práticas de diálogo e escuta empática os participantes aprenderam a acolher opiniões divergentes e discordar com respeito, realizando uma comunicação mais eficiente, amorosa e inclusiva. Foram convidados a refletir sobre suas escolhas e expressar suas opiniões e sentimentos, o que possibilitou reconhecimento e transformação das emoções e atitudes. Oferecendo alternativas para ações mais elevadas e um maior engajamento dos indivíduos na comunidade de forma não-violenta e proativa.

A integração e a troca de experiências entre facilitadores, alunos, professores e comunidade vão além dos tópicos apresentados e tem valor imprescindível para a formação de caráter, o desenvolvimento emocional, social e ético dos indivíduos.

Agradecimentos
Agradecemos a toda equipe do Coletivo Fora da Caixa, mediadores e professores convidados, especialmente aos co-fundadores do Educandário e Instituto André Luiz, Ana Paula Cardoso e Pedro C. Navarro que acolheram e confiaram em nossos projetos.

Biografia resumida
Desde que comecei meus estudos de mitologia e filosofia em 1993 eu sempre fui interessada em ensinamentos e práticas contemplativas buscam refletir sobre a felicidade e como encontrar maneiras de viver de forma harmoniosa e saudável. Eu integrei parte do grupo de Multiplicadores em Ética na Associação Palas Athena (S.P.), uma instituição onde, entre 1997 e 2004, estudei e trabalhei como professora de mitologia inspirada pelas obras de Joseph Campbell. Completei a minha licenciatura em Filosofia (UNISO) no ano de 2006. Entre meus estudos e trabalhos, existem algumas traduções para o português das palestras de Sua Santidade Dalai Lama para Comitê Brasileiro de Libertação da ECO 92, o documentário “Compaixão no Exílio” e parte de seus ensinamentos quando ele veio para Curitiba, em 1999. Também participei traduzir da autobiografia de Mahatma Gandhi: Minha vida e minhas experiências com a Verdade, publicado pela Palas Athena com o apoio do Consulado da Índia no Brasil.
Estas obras tiveram uma imensa influência na minha vida e nortearam os valores como ser humano e profissional. Ao longo das últimas décadas, participei de muitos seminários e cursos de filosofia, mitologia, ética e meditação com professores das tradições hindus, cristãos e budistas, entre eles Edgar Morin, Jean Marie Muller e sua Santidade o Dalai Lama. Precisamente porque encontrei muitos pontos importantes na trajetória de vida de pessoas que difundem filosofias e valores humanos relevantes para a comunidade, em 2014, realizei meu mestrado em Comunicação e Cultura (UNISO), com foco na jornada do herói espiritual, baseando meu trabalho na obra Joseph Campbell. Pesquisei a vida do líder místico e espiritual João de Camargo, um ex-escravo que morava em Sorocaba, no início do século XIX e realizou inúmeras curas e é considerado como um Santo para seus seguidores. Ele construiu uma capela que atrai centenas de peregrinos todos os anos.
Idealizei e coordenei diversos projetos de Educação e Cultura de Paz vários nos últimos 20 anos. Desde 2015 fundei e coordeno os projetos de Coletivo Cultural Fora da Caixa, onde promovemos cursos, seminários, tributos, encontros de diálogo inter-religioso e palestras sobre práticas contemplativas, filosofia e educação para a paz em cidade de Sorocaba e região.

Regina Maria Gomes de Proença
http://lattes.cnpq.br/8985144306903974
www.foradacaixacoletivo.com.br/openzine

Referências
DESMOND, T.; DAVIDSON, R. J. Self–Compassion in Psychotherapy – Mindfulness–Based Practices for Healing and Transformation. 1. ed. [s.l.] W. W. Norton & Company, 2015.
FREDRICKSON, B. L.; JOINER, T. Reflections on Positive Emotions and Upward Spirals. Perspectives on Psychological Science, v. 13, n. 2, p. 194–199, 2018.
HANSON, R.; MENDIUS, R.; ALBERT, B. O cérebro de Buda : Neurociência prática da felicidade. [s.l.] Editora Alaúde, 2012.
KABAT-ZINN, J. Mindfulness-based interventions in context: past, present, and future. Clinical psychology: Science and practice, v. 10, n. 2, p. 144–156, 2003.
MILLER, A. H.; RAISON, C. L. Are Anti-inflammatory Therapies Viable Treatments for Psychiatric Disorders?: Where the Rubber Meets the Road. JAMA psychiatry, v. 72, n. 6, p. 527–528, jun. 2015.
PIRES, J. G. et al. Instrumentos para avaliar o construto mindfulness: uma revisão. Avaliação Psicológica, v. 14, p. 329–338, 2015.
RICARD, M.; POLEGATO, I. A revolução do altruísmo. [s.l: s.n.].

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