Telescópio Kármico

São tantos os horrores que o mundo está passando!

Todos os dias me assusto com a crueldade de políticos como Donald Trump e família, usando de medidas tão bárbaras com os imigrantes que tentam cruzar a fronteira para entrar nos Estados Unidos. A crise de imigração deveria ser tratada como um problema global, com soluções que ofereçam alternativas mais decentes e humanas.
Não é de hoje que os povos migram; o planeta já passou por guerras mundiais e locais, perseguições políticas, fomes e tragédias naturais. Na busca por melhores condições de vida e liberdade, pessoas abandonam suas casas, familiares e países. Ninguém é louco para embarcar em um bote com dezenas de outros, sabendo que o risco de morrer é muito grande e consciente da ilegalidade de seu ato. O medo deve ser gigantesco e a condição de vida insuportável. Grande parte dos habitantes das Américas é composta por imigrantes – aqui no Brasil somos tão misturados que seria quase impossível encontrarmos um autêntico brasileiro (os indígenas, que representam os verdadeiros brasileiros, são completamente ignorados, deixados de lado e delapidados, desde que nestas terras os colonizadores desembarcaram). Não se trata apenas de maldade, e sim de hipocrisia.

Nestas horas, gostaria de ter um telescópio kármico, para espiar o que virá a acontecer com os ditadores, políticos, corruptos e bandidos em geral. Quem sabe, se eu soubesse que suas ações serão punidas, que a maldade terá fim e não deixará raízes ou sementes, mesmo sabendo que talvez minha própria existência não alcance estes fatos, queria saber assim mesmo. Meu coração iria pesar menos, meu sorriso, que fica sem graça diante de tantas atrocidades, seria um pouco mais frouxo.

Não quero dizer com isso que não confio na justiça divina, estou certa que cada um sempre tem o que merece, inexoravelmente. Mas minha alma não tem paz e se você está conseguindo ser indiferente e dormir bem à noite, então você está alienado, anestesiado e seu coração não tem amor.

Talvez o antídoto para a indiferença seja começar a observar ao redor e identificar as situações onde sua intervenção traga benefícios, onde pode ser útil. Nem todas as situações podemos mudar, mas algumas dependem apenas de nós. Podemos reduzir e reciclar o lixo, não desperdiçar água e energia, doar roupas que não usamos mais, realizar algum trabalho voluntário e não fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem conosco. Isso já é um começo, mas ainda é pouco.

A soma de todos os Eus nem sempre é um Nós – somos tão egoístas que não percebemos que o sofrimento de nossos irmãos e irmãs pelo mundo pesa em nossas consciências; permitimos que ele aconteça, somos omissos e cúmplices. A ignorância, neste caso, seria uma benção e poderia temporariamente nos absolver, porém, neste mundo globalizado, a culpa é de todos nós.

Precisamos urgentemente de pessoas corajosas e boas! Sonhadores, utopistas, revolucionários e pacifistas!

Precisamos muito, mas muito mesmo de professores, artistas, curadores e visionários. Não podemos permitir que nosso sentimento de horror seja acompanhado da frase: “Alguém tem que fazer alguma coisa!”.

Arregace suas mangas, abra seus olhos e coração, não seja um(a) banana! Transforme sua indignação em ação e não em mais um post. Todos somos responsáveis pelas injustiças e a deterioração da vida no planeta. Seja parte da solução e não do problema!

Em nome da paz e irmandade.
Regina Proença

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