Estamos nos preparando para as festas e férias de fim de ano, tempo de refletir sobre nossas escolhas e desfazer as brigas causadas pelo período eleitoral. Eu proponho um desafio: criar um ambiente tão harmônico quanto as fotos que postamos no Facebook. Abracem seus filhos e parceiros de verdade, mesmo que não seja para tirar foto e postar no Instagram. Ouçam e acolham suas angústias, eles não precisam de mais coisas e sim de cafuné. Não terceirizem o afeto e muito menos ignorem o elefante que está na sala. Há jovens que estão se viciando em drogas, se auto mutilando, se dopando e até se prostituindo, sem que ninguém de sua família tome conhecimento. O suicídio também ronda, espreitando muita gente…

Tenho muitos alunos que estão se preparando para fazer Vestibular, Enem e exames de proficiência e mesmo Residência Médica. A maior parte deles está mais perdida que cego em tiroteio; todos, sem exceção, estão estressados, ansiosos, com insônia e esgotados emocionalmente. A maioria se sente sozinha, sem apoio emocional de familiares e parceiros. Estão, de fato, muito carentes. Reclamam de pais e companheiros que são workaholics, que nunca saem do celular, estão literalmente surtando. São tão autocentrados que não percebem que os filhos estão deprimidos, tristes e abandonados, mesmo quando TÊM tudo o que se pode comprar. Tempo, atenção, afeto, diálogo e companheirismo são raros. Outro dia um aluno perguntou ao seu pai quanto custava para ele passar uma tarde com ele, quanto dinheiro ele teria que guardar de sua mesada para poder usufruir deste luxo… São poucos que refletem com seus filhos sobre metas, sonhos e consideram a felicidade o principal ponto na escolha de sua profissão. Eles mesmos já se perderam e não têm condições de oferecer orientação pois, se pararem por um momento e se derem conta do estado que sua vida e sua família se encontram, podem de fato ter um enfarto ou cair em depressão. O número de casos de Burnout está aí para confirmar os dados alarmantes de pessoas com exaustão, depressão e que cometem suicídio.

Como fazer para sair desta armadilha que nós mesmos construímos? Podemos nos comprometer com algumas mudanças para o nosso bem e em prol de nossas relações. Temos que ser incansáveis na busca de uma vida feliz, auto realizada e com propósito. Temos que parar de procurar soluções fáceis, rápidas e baratas para nossos problemas. Como dizia um querido professor sobre a felicidade, “Se fosse fácil, todo mundo fazia. Se fosse perto, todo mundo ia”.

Não tem uma receita certa, ela pode variar de acordo com o gosto do freguês, mas alguns ingredientes são indispensáveis: ouvir seu coração, buscar onde mora sua curiosidade, do que você gosta mesmo? Ou como diria Joe Campbell, “qual é seu bliss”? Tente encontrá-lo! Busque a felicidade como alguém que tem os cabelos em chama busca um lago. Não perca tempo.

Gosta de cozinhar? Pintar? Dançar? Ler? Meditar? Tricotar? Não precisa ser uma atividade que dê “lucro”, apenas que lhe traga um senso de prazer e satisfação interior. Passar uma tarde no parque com seus filhos pode lhe trazer muito mais alegria do que ir ao Mcdonald’s e todos ficarem comendo e olhando para seus celulares. Tem coisa mais triste do que praça de alimentação de shopping? Todos juntos, mas separados por suas bolhas virtuais. A foto da comida geralmente é melhor que o gosto…

ALL YOU NEED IS LOVE, já diziam os Beatles, mas parece que nos esquecemos. Por isso, peço ao Papai Noel e a todos que tragam o Amor de volta, coloquem acima de tudo os laços de amizade e bem querer, deixemos de lado as rusgas. Vamos nos abraçar de verdade, oferecer o melhor presente que podemos: o nosso tempo e presença. As coisas se vão, os abraços ficam…

Celebrem a vida, o amor, a amizade!
Regina Proença

Comentários Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *