Uma nova fronteira se escancara com a percepção dos pilares da transdisciplinaridade que vieram principalmente da física, com Lupescu e Nicolescu (manifesto da transdisciplinaridade).

Três são as bases desta nova modalidade de pensamento:

A complexidade – ou seja, “aquilo que é tecido junto “. Mostra que todas as coisas podem ser observadas por diversos pontos de vista e que para um mesmo objeto ou situação há diversos fatores que o influenciam. Somos fruto de várias situações e de vários acontecimentos, de encontros e de desencontros. Assim, nossas experiências são multicausais.

Os níveis de realidade versam sobre a diferença na percepção da realidade ou mesmo dos fatos, ou seja, cada um de nós, ao se deparar com determinado acontecimento, o interpreta de forma diferente na dependência do nível de realidade em que nos encontramos no momento. Isso explica as interpretações tão díspares sobre a situação sociopolítica e econômica. Para alguém que não consegue satisfazer as suas necessidades básicas de subsistência, a filosofia é sem sentido; afinal, como se preocupar com questões metafísicas, sofrendo os tormentos da fome.

Entretanto, é o terceiro pilar transdisciplinar que tem sido pouco explorado e que tem consequências pouco compreendidas no nosso cotidiano. A lógica do terceiro incluído vai nos explicar, que ao haver um encontro, as partes envolvidas neste encontro, serão influenciadas pelo mesmo, podendo inclusive, gerar um terceiro incluído, ou seja criar uma energia tão poderosa, que, em alguns casos, se assemelha a um novo ser, mesmo que desprovido de independência de existência. Ou seja, a cada relação que estabeleço, eu me modifico e me adapto e posso gerar energias tão poderosas que me acompanhem.

Costumamos não perceber, mas muitas das nossas atitudes atuais são determinadas por experiências de encontros pretéritos. Muitas das nossas ações são meras reações determinadas por essas energias que nos cercam, muitas vezes nos tornando reféns delas mesmas. Em cada um dos relacionamentos que estabelecemos, criamos a possibilidade de uma nova energia tomar forma, e, às vezes, quase ganhar vida.

Há necessidade de percebermos as consequências nesta fase em que vivemos, de disseminação da comunicação impessoal (principalmente com o advento da internet). A maioria de nós sabe o que acontece na política do País, tem opiniões bastante contundentes derivadas do excesso de informações que recebe, mas não percebe o “dragão “ que está alimentando ao seu lado. Criamos “seres” não dotados de vida, mas que têm potencial para nos devorar, e nos geram raiva, medo, ansiedade, que nem sabemos de onde vêm, e que não nos dizem respeito. A cada encontro, deveríamos prestar mais atenção e escolher o que fazer com este terceiro incluído.

Muitos dos resultantes energéticos dos encontros são extremamente profícuos, certamente podemos exemplificar com o encontro que determina a criação de uma instituição, como os médicos sem fronteira, os projetos de Herbert de Souza, etc. Foram encontros e terceiros incluídos derivados destes, que possibilitaram tantos avanços sociais, espirituais e profissionais. Porém, há necessidade de exaurirmos as energias dos terceiros incluídos derivados de alguns encontros, que nos geram separatividade, dissenção, preconceito, raiva, medo, e que podem influenciar sobremaneira nossas ações.

Ou seja, está na hora de escolhermos que companhia de terceiros incluídos queremos levar conosco nesta existência.

Prof Dr Wilson L Medina
Prof  Departamento de Medicina PUC-SP

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