Jesus, o aniversariante do mês!

Dezembro chegou e trouxe com ele toda agitação das festas e encontros entre familiares e amigos. Para alguns, esta época do ano é uma grande alegria e para outros, uma tortura.

Acho linda a ocasião de celebrarmos o nascimento do Menino Jesus, um ser tão iluminado que viveu entre nós. Suas origens tão humildes evocam a simplicidade e a pureza. Representa o nascimento da criança divina em nossos corações. A ideia de celebrar sua chegada entre os homens me encanta.

Porém, quando nos aproximamos do Natal e Ano Novo, somos testados de inúmeras formas: em nossa gula, generosidade, paciência e humor. Todas aquelas pessoas se apressando em comprar presentes, mais roupas, comidas, etc. O comportamento das pessoas me deixa perplexa e quando entro em um shopping (coisa que evito ao máximo) e vejo neve, Papai Noel e renas, fico com vontade de sair correndo, antes de ter que pagar o estacionamento.
De quem era o aniversário mesmo? Ah, é… de Jesus. Tão simples, tão pobre…
Mas nem tudo é festa, brilho, presentes e fotos no Facebook com familiares…

Certa vez, há quase vinte anos atrás, realizei um projeto de Meditação com os oficiais do Corpo de Bombeiros de Sorocaba. Sempre achei que seres humanos que correm em direção ao fogo ou outra tragédia, quando todos estão correndo no sentido oposto, com a pura intenção de ajudar alguém, um desconhecido, qualquer um, sem julgamento, apenas por serem quase super-heróis, mereciam todo meu respeito. Enfim, na época, eu e meu amigo Stephen Little ou Manjupriya, que estava introduzindo as práticas de Mindfulness no Brasil, realizamos um programa de meditação com os oficiais que sofriam mais com os sintomas de estresse e insônia. A experiência foi muito importante para meu aprendizado e só aumentou minha admiração pelo altruísmo e dedicação de todos. Considero-os realmente como seres humanos especiais. Entretanto, uma das coisas que mais me marcou na ocasião foi que quando nos aproximamos do mês de dezembro, eles nos informaram que precisavam interromper as práticas devido ao alerta total que o batalhão teria que ficar de Dezembro a Fevereiro por conta das festas todas. Eu pensei ingenuamente que fosse pelo maior índice de acidentes, mas era pelo alto índice de suicídio neste período. Ou seja, a alegria que vemos postada nas redes sociais pode esconder um momento muito sombrio de nossa alma. Que triste estatística…

Prefiro pessoalmente a celebração de Ano Novo, gosto de pensar na vida como ciclos que se renovam e trazem novos elementos a cada giro completo nesta espiral que trilhamos. Estamos sempre recomeçando, a cada ano, cada mês ou dia. Não sabemos o que está por vir, porém, a esperança parece ganhar novo fôlego quando iniciamos um novo ano. Talvez as resoluções deste “novo ano” sejam as mesmas do ano que passou, se é que lembramos quais foram. Tudo bem, podemos começar outra lista, dar-nos mais uma chance de começar aquele projeto que tanto sonhamos, procurar um novo amor, começar a tão famigerada dieta ou apenas “deixar a vida me levar”, como diria o sábio Zeca Pagodinho.

Não temos absolutamente nenhum controle sobre o que vai nos acontecer, nem no ano que vem, nem hoje ou daqui a pouco. Por isso, relaxe, solte-se e aproveite seu tempo livre ou a convivência com pessoas queridas (se possível), faça um retiro em algum lugar especial, pode ser sua casa mesmo. O que importa é a atitude.

Acho que a vida bem vivida é aquela que respeita os momentos, as condições e as circunstâncias que estão à nossa volta. Timing é tudo. É como surfar uma onda, sentir o vento, a água e tentar se manter em cima da prancha. Apenas fluir com a água, tentando se divertir ao máximo. Gosto desta sensação de acreditar no meu potencial e conduzir a prancha com meu talento. Há ondas mais fáceis, mais pesadas e assustadoras. Mas quem nunca tomou um caldo e voltou para a praia sem sentir raiva, desespero ou medo? Aprendendo a lidar com as circunstâncias, aprendendo a cada queda. Só assim avançamos em nosso caminho.

As experiências nos tornam mais confiantes e fortalecem nossa musculatura espiritual. Assim, nos tornamos melhores a cada dia, mês e ano. Como no surfe, a vida pede que nos atiremos em ondas se quisermos aprender a surfar. Pede que sejamos pacíficos quando desejamos que a paz aconteça. Que sejamos amorosos se desejamos ser amados – basicamente você recebe aquilo que dá. Mais uma vez podemos escolher um novo começo, podemos escolher seguir em direção aos sonhos que desejamos realizar. Adoro Ano Novo!

Desejo que as celebrações deste ano sejam repletas de amor e que em 2018 se inicie um novo ciclo na vida deste planeta, um ciclo virtuoso, elevado e próspero. Não tenho hábito de fazer listas de resoluções, mas confesso que faço uma lista de sonhos que desejo realizar e posso dizer que 2017 foi um ano maravilhoso, onde pude realizar vários deles. Mas como minha lista é bem grande, vou ter muitos ainda pela frente.

Que venha 2018! Estou preparada!
Mãos em prece,
Regina Proença

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