{"id":938,"date":"2017-04-16T20:10:03","date_gmt":"2017-04-16T23:10:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/?p=938"},"modified":"2017-04-16T21:43:03","modified_gmt":"2017-04-17T00:43:03","slug":"o-evangelho-da-nao-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/o-evangelho-da-nao-violencia\/","title":{"rendered":"O EVANGELHO DA N\u00c3O-VIOL\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong>O EVANGELHO DA N\u00c3O-VIOL\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por M. K. Gandhi<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>A Lei de Nossa Esp\u00e9cie <\/strong><br \/>\nN\u00e3o sou um vision\u00e1rio. Acredito ser um idealista pr\u00e1tico. A religi\u00e3o da n\u00e3o-viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 destinada meramente para rishis e santos. Ela \u00e9 destinada \u00e0s pessoas comuns tamb\u00e9m. N\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 a lei de nossa esp\u00e9cie assim como a viol\u00eancia \u00e9 a lei do bruto. O esp\u00edrito permanece adormecido no bruto e ele n\u00e3o conhece nenhuma lei al\u00e9m da for\u00e7a f\u00edsica. A dignidade do homem requer obedi\u00eancia \u00e0 uma lei superior \u2013 a for\u00e7a do esp\u00edrito&#8230;<br \/>\nOs rishis que descobriram a lei da n\u00e3o-viol\u00eancia em meio a viol\u00eancia foram g\u00eanios maiores que Newton. Eles mesmos conheciam o uso de armas, deram se conta de sua inutilidade, e ensinaram a um mundo cansado que a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encontra na viol\u00eancia e sim atrav\u00e9s da n\u00e3o-viol\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Minha Inofensividade (Ahimsa)<\/strong><br \/>\nEu conhe\u00e7o apenas um caminho \u2013 o caminho da inofensividade. O caminho da ofensividade vai contra meu interior. Eu n\u00e3o quero cultivar o poder de fomentar a ofensividade&#8230; A f\u00e9 que me sustenta \u00e9 que Ele \u00e9 a ajuda aos desamparados, que Ele vem ao nosso socorro somente quando nos entregamos a Sua Miseric\u00f3rdia. \u00c9 devido a esta f\u00e9 que acalento a esperan\u00e7a que Deus ir\u00e1 um dia me mostrar um caminho no qual eu possa confiantemente recomendar as pesssoas. Tenho sido um \u201cjogador\u201d toda minha vida. Em minha paix\u00e3o por encontrar a verdade e implacavelmente seguindo minha f\u00e9 na n\u00e3o-viol\u00eancia, n\u00e3o me importei que os obst\u00e1culos fossem grandes demais. Ao fazer isso eu errei, se assim o fiz, estive junto aos mais distintos cientistas de todos os tempos e lugares.<br \/>\nAprendi a li\u00e7\u00e3o da n\u00e3o-viol\u00eancia com minha esposa, quando tentei dobr\u00e1-la a minha vontade. Sua resist\u00eancia determinada contra a minha vontade, por um lado, e sua submiss\u00e3o silenciosa ao sofrimento que minha estupidez envolvia, por outro, isso em \u00faltima inst\u00e2ncia me envergonhou e me curou de minha estupidez em pensar que eu tinha nascido para mandar nela e, ao final, ela se tornou minha mestra em n\u00e3o-viol\u00eancia. A doutrina que tem guiado minha vida n\u00e3o \u00e9 a de n\u00e3o a\u00e7\u00e3o mas da mais elevada a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o devo&#8230; me lisonjear pela cren\u00e7a \u2013 nem permitir que meus amigos o fa\u00e7am&#8230; em sustentar a cren\u00e7a que eu tenha exibido qualquer hero\u00edsmo ou n\u00e3o-viol\u00eancia demonstr\u00e1vel em mim. Tudo que posso afirmar \u00e9 que estou velejando sem parar um momento nesta dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Car\u00e1ter da N\u00e3o-viol\u00eancia<\/strong><br \/>\nA n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 a lei da ra\u00e7a humana e \u00e9 infinitamente maior e superior a for\u00e7a bruta. Como \u00faltimo recurso n\u00e3o serve para aqueles que n\u00e3o possuem uma f\u00e9 viva no Deus de amor. A n\u00e3o-viol\u00eancia fornece a mais completa prote\u00e7\u00e3o ao auto-respeito e ao senso de honra do indiv\u00edduo, mas nem sempre a posse de terras ou propriedades m\u00f3veis, embora sua pr\u00e1tica usual prove-se ser um melhor baluarte do que possuir homens armados para defende-los. A n\u00e3o-viol\u00eancia, por sua pr\u00f3pria natureza, n\u00e3o oferece assist\u00eancia na defesa de ganhos ileg\u00edtimos e atos imorais. Indiv\u00edduos e na\u00e7\u00f5es que venham a praticar a n\u00e3o-viol\u00eancia devem estar preparados a sacrificar (na\u00e7\u00f5es at\u00e9 o \u00faltimo homem) tudo oque possuem exceto sua honra. \u00c9 assim, portanto, incompat\u00edvel com a posse de povos de outros pa\u00edses,como por exemplo, no imperialismo moderno, o qual \u00e9 abertamente baseado na for\u00e7a em sua defesa.<br \/>\nA n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 um poder que pode ser exercido igualmente por todos \u2013 crian\u00e7as, jovens e mulheres ou pessoas adultas, desde que possuam um f\u00e9 viva no Deus de Amor e assim um igual amor por toda humanidade. Quando a n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 aceita como a lei da vida, ela deve permear todo o ser e n\u00e3o ser aplicada a atos isolados. \u00c9 um erro profundo supor que, enquanto a lei for boa o bastante para indiv\u00edduos, n\u00e3o \u00e9 para as massas da humanidade. Pois o caminho da n\u00e3o-viol\u00eancia e da verdade \u00e9 afiado como o fio da navalha. Sua pr\u00e1tica \u00e9 mais do que nosso alimento di\u00e1rio. Tomada corretamente, a comida sustenta o corpo; praticada corretamente a n\u00e3o-viol\u00eancia sustenta a alma. O alimento corp\u00f3reo n\u00f3s podemos medir apenas em quantidades e com alguns intervalos; a n\u00e3o-viol\u00eancia, que \u00e9 o alimento espiritual, temos que ingeri-lo continuamente. N\u00e3o h\u00e1 uma saciedade. Eu tenho que estar consciente todo momento de que estou alcan\u00e7ando o objetivo e tenho que me analisar em termos desta meta.<\/p>\n<p><strong>Cren\u00e7a&nbsp;<\/strong><b>Imut\u00e1vel<\/b><br \/>\nO primeiro passo para n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 que a cultivemos em nosssa vida di\u00e1ria, assim entre n\u00f3s, a veracidade,humildade, toler\u00e2ncia, amor gentil. Honestamente, eles dizem em Ingl\u00eas, \u00e9 a melhor pol\u00edtica. Mas em termos de n\u00e3o-viol\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 mera pol\u00edtica. Pol\u00edticas podem e devem mudar. A n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 um cren\u00e7a imut\u00e1vel. Ela deve ser buscada em face \u00e0 viol\u00eancia que est\u00e1 a sua volta. A n\u00e3o-viol\u00eancia com um homem n\u00e3o-violento n\u00e3o \u00e9 um m\u00e9rito. De fato torna-se dif\u00edcil dizer se isso \u00e9 n\u00e3o-viol\u00eancia em absoluto. Mas quando \u00e9 direcionada contra a viol\u00eancia, da\u00ed percebemos a diferen\u00e7a entre as duas. N\u00e3o podemos fazer isso a n\u00e3o ser que estivermos sempre despertos, sempre vigilantes, sempre se esfor\u00e7ando. A unica coisa legal \u00e9 a n\u00e3o-viol\u00eancia. A viol\u00eancia nunca pode ser legal no sentido que colocamos aqui, por exemplo, n\u00e3o de acordo com a leis feita pelo homem mas de acordo com a lei feita pela Natureza para homem.<\/p>\n<p><strong>F\u00e9 em Deus<\/strong><br \/>\n[A f\u00e9 viva na n\u00e3o-viol\u00eancia] \u00e9 imposs\u00edvel sem a f\u00e9 viva em Deus. Um homem n\u00e3o-violento nada pode fazer a n\u00e3o ser pelo poder e gra\u00e7a de Deus. Sem isso ele n\u00e3o ter\u00e1 a coragem de morrer sem raiva, sem medo ou sem retalia\u00e7\u00e3o. Tal coragem vem da cren\u00e7a de que Deus encontra-se no cora\u00e7\u00e3o de tudo e que n\u00e3o deveria haver medo na presen\u00e7a de Deus. O conhecimento da omnipresen\u00e7a de Deus tamb\u00e9m significa respeito por todas as vidas mesmo daqueles que possam ser chamados de oponentes&#8230;<br \/>\nA n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 uma for\u00e7a ativa da ordem mais elevada. \u00c9 uma for\u00e7a de alma ou poder Divino em nosso interior. Um homem imperfeito n\u00e3o pode compreender toda essa Ess\u00eancia \u2013 ele n\u00e3o seria capaz de suportar a chama completa, mas mesmo uma fra\u00e7\u00e3o infinetisimal dela, quando ativa em n\u00f3s, pode realizar maravilhas. O sol nos c\u00e9us enche o universo todo com o calor que d\u00e1 vida. Mas se algu\u00e9m chegar perto demais dele, ser\u00e1 consumido e transformado em cinzas. Assim \u00e9 com a ess\u00eancia de Deus. N\u00f3s nos tornamos Divinos at\u00e9 o ponto que realizamos a n\u00e3o-viol\u00eancia; mas nunca nos tornamos completamente Deus. O fato \u00e9 que a n\u00e3o-viol\u00eancia n\u00e3o funciona da mesma maneira que a viol\u00eancia. Ela funciona de forma oposta. Um homem armado naturalmente confia em suas armas. Um homem intencionalmente n\u00e3o armado confia na For\u00e7a Invis\u00edvel chamada de Deus pelos poetas, mas chamada de Desconhecido pelos cientistas. Mas aquilo que \u00e9 desconnhecido n\u00e3o \u00e9 necessariamente inexistente. Deus \u00e9 a For\u00e7a entre todas as for\u00e7as conhecidas e desconhecidas. A n\u00e3o-viol\u00eancia sem a confian\u00e7a nesta For\u00e7a \u00e9 algo pobre a ser atirada ao p\u00f3. A consci\u00eancia da presen\u00e7a vida de Deus em seu interior \u00e9 sem d\u00favida o primeiro requisito.<\/p>\n<p><strong>Base Religiosa<\/strong><br \/>\nMinha afirma\u00e7\u00e3o ao Hindu\u00edsmo tem sido rejeitada por alguns, porque eu acredito e advogo a n\u00e3o-viol\u00eancia de forma extrema. Eles dizem que sou um crist\u00e3o disfar\u00e7ado. At\u00e9 mesmo me disseram seriamente que estou distorcendo o significado do Gita, quando atribuo a este grande poema o ensinamento inadulterado da n\u00e3o-viol\u00eancia. Alguns de meus amigos hindus me dizem que matar \u00e9 um dever enunciado pelo Gita sob certas circunst\u00e2ncias. Um shastri muito instru\u00eddo outro dia rejeitou com desprezo minha interpreta\u00e7\u00e3o do Gita e disse que n\u00e3o h\u00e1 garantia para as opini\u00f5es expressas por comentadores de que o Gita representava o eterno duelo entre as for\u00e7as do mal e do bem, e expressa o dever de erradicar o mal dentro de n\u00f3s sem hesita\u00e7\u00e3o, sem ternura. Eu esclare\u00e7o estas opini\u00f5es contra a n\u00e3o-viol\u00eancia em detalhes, porque \u00e9 necess\u00e1rio entend\u00ea-las, se pud\u00e9ssemos entender a solu\u00e7\u00e3o que tenho a oferecer&#8230;<br \/>\nDevo ser dispensado de considera\u00e7\u00f5es. Minha religi\u00e3o \u00e9 assunto somente entre meu criador e mim mesmo. Se eu sou Hindu, n\u00e3o posso deixar de ser mesmo embora eu seja rejeitado por toda a popula\u00e7\u00e3o Hindu. Entretanto sugiro que a n\u00e3o-viol\u00eancia seja a finalidade de todas as religi\u00f5es.<br \/>\nA li\u00e7\u00e3o da n\u00e3o-viol\u00eancia est\u00e1 presente em todas as religi\u00f5es, mas acredito afetuosamente que, talvez, seja aqui na \u00cdndia que sua pr\u00e1tica tenha sido reduzida uma ci\u00eancia.Inumer\u00e1veis santos tem dado suas vidas em tapashcharya at\u00e9 que os poetas tivessem sentido que os Himalayas tinham se purificado na brancura de sua neve por meio de seus sacrif\u00edcios. Mas toda esta pr\u00e1tica de n\u00e3o-viol\u00eancia est\u00e1 quase morta hoje. \u00c9 necess\u00e1rio reviver a lei eterna de responder a raiva com amor e a viol\u00eancia com a n\u00e3o-viol\u00eancia; e onde isso pode ser mais prontamente feito do que nesta terra do Gentil Janaka e Ramachandra?<\/p>\n<p><strong>A contribui\u00e7\u00e3o \u00edmpar do Hindu\u00edsmo<\/strong><br \/>\nA n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 comum a todas as religi\u00f5es, mas encontrou sua express\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o mais elevada no Hindu\u00edsmo. (eu n\u00e3o considero o Jainismo ou Budismo como separado do Hindu\u00edsmo). O hindu\u00edsmo acredita na unidade n\u00e3o meramente de toda vida humana e sim na unidade de tudo oque vive. Sua adora\u00e7\u00e3o \u00e0 vaca \u00e9, em minha opini\u00e3o, sua contribui\u00e7\u00e3o exemplar a evolu\u00e7\u00e3o do humanitarismo. \u00c9 uma aplica\u00e7\u00e3o da cren\u00e7a na unidade e, portanto, do sagrado de toda vida. A grande cren\u00e7a na transmigra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma consequ\u00eancia direta desta cren\u00e7a. Afinal, a descoberta da lei de Varnashrama \u00e9 um resultado magn\u00edfico da busca ininterrupta pela verdade. Tenho sido questionado de onde no Hindu\u00edsmo eu retirei a inofensividade (ahimsa). O Hindu\u00edsmo \u00e9 a inofensividade, tamb\u00e9m est\u00e1 no Cristianismo e tamb\u00e9m no Islamismo. Concorde ou n\u00e3o, \u00e9 meu sagrado dever pregar oque acredito ser verdade do modo que vejo. Acredito tamb\u00e9m que a inofensividade nunca fez de ningu\u00e9m um covarde.<\/p>\n<p><strong>O Alcor\u00e3o e a&nbsp;<\/strong><b>N\u00e3o viol\u00eancia<\/b><br \/>\n[Barisaheb] me assegurou que havia garantia suficiente para o Satyagraha (firmeza na Verdade) no Sagrado Alcor\u00e3o. Ele concordou com a interpreta\u00e7\u00e3o do Alcor\u00e3o ao ponto que, enquanto a viol\u00eancia sob certas circunst\u00e2ncias bem definidas seja permitida, o auto-dom\u00ednio \u00e9 mais apreciado por Deus do que a Viol\u00eancia, e esta \u00e9 a lei do amor. Isso \u00e9 Satyagraha. Viol\u00eancia \u00e9 uma concess\u00e3o da fraqueza humana, o Satyagraha \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o. Mesmo de um ponto de vista pr\u00e1tico \u00e9 f\u00e1cil o bastante ver que a viol\u00eancia n\u00e3o pode fazer o bem e somente faz infinitamente mal.<br \/>\nAlguns amigos mu\u00e7ulmanos me dizem que os mu\u00e7ulmanos nunca ir\u00e3o aderir a uma n\u00e3o-viol\u00eancia inadulterada. Com eles, dizem, a viol\u00eancia \u00e9 legalizada e necess\u00e1ria assim como a n\u00e3o-viol\u00eancia. O uso de cada uma depende das circunst\u00e2ncias. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a autoridade do Alcor\u00e3o para justificar a legalidade de ambas. Esse \u00e9 um caminho bem conhecido que o mundo tem atravessado atrav\u00e9s de eras. Mas tenho ouvido de muitos amigos mu\u00e7ulmanos que o Alcor\u00e3o ensina o uso da n\u00e3o-viol\u00eancia. Ele considera a paci\u00eancia superior \u00e0 vingan\u00e7a. A pr\u00f3pria palavra Islaam significa paz, que \u00e9 n\u00e3o-viol\u00eancia. Badshahkhan, um dedicado mu\u00e7ulmano que nunca perde sua ora\u00e7\u00e3o e Ramzam, tem aceitado do come\u00e7o ao fim a n\u00e3o-viol\u00eancia como sua cren\u00e7a. E n\u00e3o seria uma reposta dizer que ele n\u00e3o viva de acordo com sua cren\u00e7a, mesmo eu sabendo envergonhado que ele \u00e9 diferenciado, em algum grau. Mas, o argumento da n\u00e3o-viol\u00eancia no Sagrado Alcor\u00e3o \u00e9 uma interpola\u00e7\u00e3o, n\u00e3o necess\u00e1ria para minha tese.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de dieta<\/strong><br \/>\nAhimsa (inofensividade) n\u00e3o \u00e9 uma mera quest\u00e3o diet\u00e9tica, ela transcende. O que um homem come ou bebe pouco importa; \u00e9 o negar-se, o auto-controle por tr\u00e1s disso \u00e9 que importa. Pratique de todas as formas o quanto quiser a restri\u00e7\u00e3o na escolha dos artigos de sua dieta. O auto-controle \u00e9 recomendado, e mesmo necess\u00e1rio, mas apenas toca as pontas da inofensividade. Um homem deve permitir-se uma extensa latitude em mat\u00e9ria de dieta e ainda sim pode ser uma personifica\u00e7\u00e3o de inofensividade e ser devotado, se seu cora\u00e7\u00e3o transbordar de amor e comover-se ao sofrimento alheio, e estiver purificado de todas suas paix\u00f5es. Por outro lado um homem pode ser sempre muito escrupuloso em sua dieta e ser um completo estranho a inofensividade e pobre em piedade, se ele for um escravo do ego\u00edsmo e paix\u00f5es e tiver o cora\u00e7\u00e3o endurecido.<\/p>\n<p><strong>O caminho para Verdade<\/strong><br \/>\nMeu amor pela n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 superior a todas as coisas mundanas ou supramundanas. \u00c9 apenas igualado por meu amor a Verdade, que \u00e9 para mim um sin\u00f4nimo de n\u00e3o-viol\u00eancia pela qual e somente assim posso ver e alcan\u00e7ar a Verdade.<br \/>\n&#8230;Sem a inofensividade n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel buscar e encontrar a Verdade. Ahimsa e Verdade est\u00e3o t\u00e3o intrela\u00e7adas que \u00e9 praticamente imposs\u00edvel desenla\u00e7a-las e separ\u00e1-las. Elas s\u00e3o como os dois lados de uma moeda, ou seja \u00e9 lisa, um disco met\u00e1lico sem marcas. Quem pode dizer qual \u00e9 a frente ou o verso? Mesmo assim ahimsa \u00e9 o meio; a Verdadde \u00e9 o fim. Um meio para ser um meio deve estar ao nosso alcance, ent\u00e3o a inofensividade \u00e9 nosso dever supremo. Se tomarmos cuidado com o meio, estamos destinados a alcan\u00e7ar o fim mais cedo ou mais tarde. Quando tivermos alcan\u00e7ado este ponto, a vit\u00f3ria final estar\u00e1 al\u00e9m da quest\u00e3o. Ahimsa n\u00e3o \u00e9 o objetivo. A Verdade \u00e9 o objetivo. Mas n\u00e3o temos meios de realizar a verdade nos relacionamentos humanos exceto pela pr\u00e1tica da inofensividade. Alcan\u00e7ar rapidamente a inofensividade est\u00e1 inevitavelmente ligada \u00e0 verdade e n\u00e3o a viol\u00eancia. \u00c9 por isso que prezo por ahimsa. A Verdade veio naturalmente \u00e0 mim. A inofensividade eu adquiri ap\u00f3s uma batalha. Mas a inofensividade sendo o meio, estamos naturalmente mais preocupados com ela em nossa vida di\u00e1ria. \u00c9 para a inofensividade, portanto, que nossas massas devem ser educadas. A educa\u00e7\u00e3o na verdade vir\u00e1 dela como um fim natural.<\/p>\n<p><strong>Sem encobrir a covardia<\/strong><br \/>\nMinha n\u00e3o-viol\u00eancia n\u00e3o admite fugir do perigo e deixar os que amamos desprotegidos. Entre a viol\u00eancia e a fuga covarde, s\u00f3 posso preferir a viol\u00eancia ao inv\u00e9s da covardia. N\u00e3o posso continuar a pregar a n\u00e3o-viol\u00eancia a um homem covarde assim como n\u00e3o posso pedir a um homem cego apreciar as cenas saudavelmente. A n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 o \u00e1pice da bravura. Em minha pr\u00f3pria experi\u00eancia, n\u00e3o tive dificuldade em demonstrar a homens treinados na escola da viol\u00eancia a superioridade da n\u00e3o-viol\u00eancia. Como um covarde, que fui por muitos anos, eu abriguei a viol\u00eancia. Comecei a prezar a n\u00e3o-viol\u00eancia apenas quando comecei a me despir da covardia. Aqueles Hindus que fujiram do dever em seus postos quando amea\u00e7ados pelo perigo fizeram isso n\u00e3o porque eram n\u00e3o-violentos, ou estavam com medo de atacar, mas porque n\u00e3o queriam morrer ou serem feridos. Um coelho que foje de um Bull terrier n\u00e3o \u00e9 exatamente n\u00e3o-violento. O pobre animal treme ao ver o terrier e foje por sua pr\u00f3pria vida. A n\u00e3o-viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 para encobrir a covardia, mas \u00e9 a suprema virtude do bravo. O exerc\u00edcio da n\u00e3o-viol\u00eancia requer uma bravura muito maior do que o uso de armas.A covardia \u00e9 completamente incompat\u00edvel com a n\u00e3o-viol\u00eancia. A transi\u00e7\u00e3o do uso de armas para a n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 poss\u00edvel e, \u00e1s vezes, at\u00e9 facilmente. Mas a vingan\u00e7a a qualquer momento \u00e9 superior \u00e0 passividade, afeminada e submiss\u00e3o desamparada. O perd\u00e3o por\u00e9m \u00e9 superior. A vingan\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 fraqueza. O desejo de vingan\u00e7a nasce do medo de ser ferido, imagin\u00e1rio ou real. Um c\u00e3o late e morde quando est\u00e1 com medo. Um homem que n\u00e3o teme ningu\u00e9m na terra consideraria trabalhoso demais at\u00e9 mesmo invocar a ira contra algu\u00e9m que est\u00e1 tentando, em v\u00e3o, prejudic\u00e1-lo. O sol n\u00e3o deseja vingar-se das criancinhas que atiram poeira nele. Eles s\u00f3 se machucam a si mesmos ao faz\u00ea-lo. O caminho da n\u00e3o-viol\u00eancia requer muito mais coragem do que o da viol\u00eancia.O m\u00ednimo que se requer de algu\u00e9m que deseja cultivar a inofensividade \u00e9 a coragem de primeiro esclarecer seu pensamento sobre a covardia e, \u00e1 luz do esclarecimento, regular sua conduta em todas as atividades, pequenas ou grandes. Assim o que faz este voto deve se recusar a ser acovardado por seu superior, sem sentir raiva. Ele deve, entretanto, estar pronto a sacrificar seu posto, mesmo que seja remunerado. Assim sacrificando tudo, se ele n\u00e3o tiver sentido raiva de ser empregador, ele tem em si a bravura da inofensividade. Vamos supor que um camarada passageiro ameace roubar seu filho e eu dialogue com o suposto assaltante que ent\u00e3o se volta contra mim. Se eu aceitar o golpe dele com gra\u00e7a e dignidade, sem abrigar qualquer maldade contra ele, eu mostro a inofensividade dos bravos. Estas coisas ocorrem na vida di\u00e1ria e podem ser facilmente multiplicadas. Se obtiver \u00eaxito em refrear meu \u00edmpeto toda vez e, embora possa golpe\u00e1-lo tamb\u00e9m, eu me detiver, poderei desenvolver a bravura da inofensividade a qual nunca falhar\u00e1 e o far\u00e1 conquistar o reconhecimento dos maiores advers\u00e1rios.<br \/>\nInculcation of cowardice is against my nature. Ever since my return from South Africa, where a few thousand had stood up not unsuccessfully against heavy odds, I have made it my mission to preach true bravery which ahimsameans.<\/p>\n<p><strong>A humildade Essencial<\/strong><br \/>\nSe o indiv\u00edduo tiver&#8230;orgulho e ego\u00edsmo, n\u00e3o existe n\u00e3o-viol\u00eancia. A n\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 imposs\u00edvel sem a humildade. Minha pr\u00f3pria experi\u00eancia \u00e9 que, onde que eu tenha agido n\u00e3o-violentamente, fui levado a isso e mantive isso pela prontid\u00e3o superior deste poder invis\u00edvel. Atrav\u00e9s de minha pr\u00f3pria vontade teria falhado miseravelmente. Quando fui para a pris\u00e3o pela primeira vez, eu me amedrontei perante a perspectiva. Tinha ouvido coisas terr\u00edveis sobre a vida na cadeia. Mas tive f\u00e9 na prote\u00e7\u00e3o de Deus. Nossa experi\u00eancia foi que aqueles que foram para a pris\u00e3o com esp\u00edrito em prece sa\u00edram vitoriosos, e aqueles que foram com sua pr\u00f3pria for\u00e7a pereceram. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para auto-piedade nisso a n\u00e3o ser que diga que Deus est\u00e1 lhe dando for\u00e7as. Mas h\u00e1 sem d\u00favida o reconhecimento. Foi apenas quando eu aprendi a me reduzir a zero que fui capaz que desenvolver o poder do Satyagraha na Africa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o realizada por Regina Proen\u00e7a.<\/strong><br \/>\nLink com a vers\u00e3o original em ingl\u00eas:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.mkgandhi.org\/nonviolence\/phil1.htm\" target=\"_blank\">http:\/\/www.mkgandhi.org\/nonviolence\/phil1.htm<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.mkgandhi.org\/nonviolence\/phil1.htm\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-931 size-full\" src=\"http:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mkgandhi.jpg\" alt=\"\" width=\"828\" height=\"315\" srcset=\"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mkgandhi.jpg 828w, https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mkgandhi-300x114.jpg 300w, https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mkgandhi-768x292.jpg 768w, https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/mkgandhi-592x225.jpg 592w\" sizes=\"auto, (max-width: 828px) 100vw, 828px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O EVANGELHO DA N\u00c3O-VIOL\u00caNCIA Por M. K. Gandhi A Lei de Nossa Esp\u00e9cie N\u00e3o sou um vision\u00e1rio. Acredito ser um idealista pr\u00e1tico. A religi\u00e3o da n\u00e3o-viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 destinada meramente para rishis e santos. Ela \u00e9 destinada \u00e0s pessoas comuns tamb\u00e9m. N\u00e3o-viol\u00eancia \u00e9 a lei de nossa esp\u00e9cie assim como a viol\u00eancia \u00e9 a lei [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":939,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[5,43],"tags":[44],"class_list":["post-938","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-traducoes","tag-gandhi"],"blocksy_meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=938"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/938\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":940,"href":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/938\/revisions\/940"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-json\/wp\/v2\/media\/939"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}