{"id":1687,"date":"2017-10-13T09:16:09","date_gmt":"2017-10-13T12:16:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/?p=1687"},"modified":"2022-02-06T12:37:43","modified_gmt":"2022-02-06T15:37:43","slug":"kuarup-40-eternos-anos-ou-de-estrelas-sois-e-luas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/kuarup-40-eternos-anos-ou-de-estrelas-sois-e-luas\/","title":{"rendered":"KUARUP &#8211; 40 eternos anos: Ou de estrelas, s\u00f3is e luas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Kuarup &#8211; 40 eternos anos: Ou de estrelas, s\u00f3is e luas<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Kuarup-40-anos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1690 size-medium\" src=\"http:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Kuarup-40-anos-192x300.jpg\" alt=\"\" width=\"192\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Kuarup-40-anos-192x300.jpg 192w, https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Kuarup-40-anos.jpg 615w\" sizes=\"auto, (max-width: 192px) 100vw, 192px\" \/><\/a>H\u00e1 40 anos, estreava no Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo o espet\u00e1culo de dan\u00e7a \u201cKUARUP ou A Quest\u00e3o do \u00cdndio\u201d. Com coreografia de D\u00e9cio Otero e dire\u00e7\u00e3o teatral de Marika Gidali, neste espet\u00e1culo, o Ballet Stagium, com sua linguagem inovadora e sua responsabilidade social, lan\u00e7ava luz sobre a eminente extin\u00e7\u00e3o da rica cultura ind\u00edgena, ao mesmo tempo encantando com a proposta est\u00e9tica surpreendente que trazia ao palco.<\/p>\n<p>Comemorando o anivers\u00e1rio de lan\u00e7amento deste espet\u00e1culo, que foi um divisor de \u00e1guas na hist\u00f3ria da dan\u00e7a em particular e das artes em geral, Kuarup retornou neste ano ao Theatro Municipal por dois dias (9 e 10 de outubro), ap\u00f3s ter-se apresentado em diferentes partes do mundo por 400 vezes.<\/p>\n<p>Generosamente convidada por Marika Gidali a participar desta festa, assisti \u00e0 revivesc\u00eancia de Kuarup em nosso presente. E sa\u00ed do espet\u00e1culo absolutamente encantada. Num momento em que nossas artes persistentemente esbarram em temas repetitivos e chav\u00f5es, parecendo, tamb\u00e9m, insistir no que choca e ofende ou \u00e9 de mau gosto, o Stagium nos devolve a uma dimens\u00e3o onde a Beleza ainda vige. E onde nossa brasilidade, amea\u00e7ada pela lama, a corrup\u00e7\u00e3o, ao julgamento e a cis\u00e3o manique\u00edsta, ressurge com vigor e luminosidade, trazendo de volta a esperan\u00e7a e a luz. Abaixo, segue a cr\u00edtica que apresentei a Marika e ao Stagium, um dia ap\u00f3s ter tido o privil\u00e9gio de assistir a essa maravilha. A\u00ed vai ela:<\/p>\n<p><em>O Stagium coreografa, grafa, d\u00e1 corpo, voz, luz, cor, teatralidade, musicalidade, gestualidade viva \u00e0 saga do \u00edndio desde antes da descoberta desta Terra Brasilis at\u00e9 sua eminente (ou presente e corrente) extin\u00e7\u00e3o. Em verde e amarelo, os corpos, expressiva, plasticamente, colorem o palco nu, ritualizando num plano est\u00e9tico a vitalidade das culturas nativas, seus mitos e ritos cotidianos de luta, acasalamento, cria\u00e7\u00e3o, ca\u00e7a, navega\u00e7\u00e3o, plantio, colheita \u2013 os atos de gestar, parir, acalentar; o sobreviver, o morrer. O Kuarup \u2013 celebra\u00e7\u00e3o de morte \u2013 nesta dan\u00e7a-teatro-total, integrativa de tantas artes e formas, pela maestria de Marika Gidali e D\u00e9cio Otero com seu Ballet Stagium de hoje e o de sempre ao longo de 40 anos, se faz um acolhimento \u00e0 vida. Eterniza as pr\u00e1ticas, os valores, as artes, a cultura ind\u00edgena que vive no cora\u00e7\u00e3o verde-amarelo (flagrado pelo figurino de Clodovil) de nossa gente e de nossa terra.<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"http:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/22449262_1805868826107076_386967928_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1689 size-medium alignright\" src=\"http:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/22449262_1805868826107076_386967928_o-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/22449262_1805868826107076_386967928_o-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/22449262_1805868826107076_386967928_o-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/22449262_1805868826107076_386967928_o-1024x686.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os p\u00e9s, os corpos, plantados firme e sutilmente sobre a terra. A dan\u00e7a que pulsa com o ventre da Terra: O Kuarup do Stagium n\u00e3o \u00e9 ritual de morte. \u00c9 celebra\u00e7\u00e3o da vida. Eterniza\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o ind\u00edgena de nossa carne brasileira, carne miscigenada, carne que hoje \u00e9 muitas carnes. Sangue novo e sangue velho convivendo numa dimens\u00e3o trans-temporal, que recusa a corros\u00e3o hist\u00f3rica, a decad\u00eancia, o Apocalipse.<\/em><\/p>\n<p><em>(Re)vestidos de penas e plumas, cestas, armas e adere\u00e7os, devolvidos \u00e0 sua nudez primeva, trajam uma morte que \u00e9 apoteose. C\u00e9u vermelho, azul. Sol morrendo; nascendo para sempre.<\/em><\/p>\n<p><em>Os sons dos \u201cchants\u201d ind\u00edgenas (flagrados pelos irm\u00e3os Villas Boas) desembocam num R\u00e9quiem composto de acordo com a est\u00e9tica dos brancos. Somos UM. Um s\u00f3 povo. Sem cor de pele ou ra\u00e7a. Verde-amarelo. Terra Brasilis. Recusa \u00e0 morte, Kuarup \u00e9 rito coreogr\u00e1fico que eterniza nossa alma brasileira.<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"http:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/22429512_1805868586107100_735866713_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1688 size-medium alignleft\" src=\"http:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/22429512_1805868586107100_735866713_o-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/22429512_1805868586107100_735866713_o-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/22429512_1805868586107100_735866713_o-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/22429512_1805868586107100_735866713_o-1024x686.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O encontro emocionante entre gera\u00e7\u00f5es de dan\u00e7arinos (que recriaram a saga ind\u00edgena) no mesmo palco ao final, a apoteose verde-amarela encarnada no casal D\u00e9cio e Marika no palco-altar da Arte-como-Beleza (e como consci\u00eancia social \/ humana) merece a chuva de rosas vermelhas que recebe sob aplausos e gritos. E merece muito mais. Merece nosso tributo e agradecimento por nos devolverem a dignidade de sermos brasileiros, mesmo num momento que nos parece bordejar o abismo e a volta \u00e0 Idade das Trevas.<\/em><\/p>\n<p><em>D\u00e9cio, Marika, Ballet Stagium de ontem, hoje e sempre. Obrigada por toda esta Beleza e Grandeza. Por sua atitude como poetas da responsabilidade, do Ideal, da coragem, da recusa \u00e0 massifica\u00e7\u00e3o obtusa e imbecilizante. N\u00e3o h\u00e1 melhor protesto e recusa \u00e0 treva do que a pr\u00f3pria luz. E voc\u00eas t\u00eam Luz pr\u00f3pria. Brilhem sempre. Ci: a Estrela. Araci: o Sol. Stagium: Sol e Lua. D\u00e9cio e Marika.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong><a href=\"http:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/SILVIA-SIMONE-ANSPACH.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-364 size-thumbnail alignleft\" src=\"http:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/SILVIA-SIMONE-ANSPACH-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\"><\/a>SILVIA SIMONE ANSPACH<\/strong><\/em><br \/>\nPhD em Comunica\u00e7\u00e3o, (Brasil e EUA), Mestre em Lingu\u00edstica Aplicada (Inglaterra), Especialista em Psicologia Anal\u00edtica, Psicanalista, Bacharel em Letras (Br.). Foi Fulbright Scholar na UNC \u2013 EUA. Seus livros: Entre Babel e o \u00c9den; Arte, cura, loucura; Melosofia; A psique e a religi\u00e3o; Patches and Sketches; Veneno (coautoria), diversos textos em peri\u00f3dicos e livros no Brasil e no exterior. V\u00e1rios pr\u00eamios e distin\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kuarup &#8211; 40 eternos anos: Ou de estrelas, s\u00f3is e luas H\u00e1 40 anos, estreava no Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo o espet\u00e1culo de dan\u00e7a \u201cKUARUP ou A Quest\u00e3o do \u00cdndio\u201d. 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