{"id":1058,"date":"2017-05-08T14:05:53","date_gmt":"2017-05-08T17:05:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/?p=1058"},"modified":"2017-05-08T15:14:19","modified_gmt":"2017-05-08T18:14:19","slug":"primeiro-texto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.foradacaixacoletivo.com.br\/openzine\/primeiro-texto\/","title":{"rendered":"PRIMEIRO TEXTO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Primeiro Texto<\/strong><br \/>\n<em>por Edgar Domingo de Albuquerque<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando Regina me convidou para escrever aqui, confesso, fiquei relutante. N\u00e3o por medo de embarcar nessa aventura, escrever t\u00eam sido uma experi\u00eancia cada vez mais intensa nesta fase da minha vida, a relut\u00e2ncia foi sobre o qu\u00ea escrever. Educa\u00e7\u00e3o, \u00f3bvio. Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 meu ganha p\u00e3o, \u00e9 minha profiss\u00e3o e \u00e9 o que eu venho fazendo, entre trancos e barrancos, nos \u00faltimos 21 anos. Escrever sobre Educa\u00e7\u00e3o, essa com ez\u00e3o, que trata da escola e das suas nuances todas. Talvez fosse essa a expectativa da Regina e de algumas outras pessoas que orbitam esse meu microcosmo. Textos sobre Educa\u00e7\u00e3o. Relutei, ensaiei uns tr\u00eas ou quatro textos, inconclusos, todos deletados no dia seguinte. Hoje, voltando das compras no mercado, dirigindo pelas ruas dessa Sorocaba que me acolhe desde o nascimento, pensava, tenho que escrever para a Regina, para o Fora da Caixa, para a Openzine. Tenho que escrever algo, menos sobre Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Abandonei o doutorado em Educa\u00e7\u00e3o por uma raz\u00e3o muito simples, eu n\u00e3o tinha nada a dizer. Nada a defender, nenhuma tese. Durante os tr\u00eas anos nos quais fiz os cr\u00e9ditos obrigat\u00f3rios e os eletivos, nos quais li diversos autores sobre o tema ao qual me inclinei, a Universidade, nos quais participei de congressos e conversas com colegas e com meu orientador, depois desses tr\u00eas anos, me faltando apenas por no papel, na tese, todas as ideias, elas me sumiram. Ou eu sumi com elas. Ok, serei honesto. Dizer o que eu tinha para dizer \u00e0s pessoas da academia seria, como se diz no popular, chover no molhado. O meio acad\u00eamico consegue ser, muitas vezes, um reino do faz de conta. Na verdade, o doutorado me fez ver que eu n\u00e3o precisava dele para dizer o que eu quero dizer. As pessoas com as quais quero dialogar n\u00e3o s\u00e3o as das bancas, dos congressos, dos col\u00f3quios, do Olimpo. Abandonei o doutorado e passei a escrever cr\u00f4nicas no facebook.<\/p>\n<p>Escrever simples. Sem firulas acad\u00eamicas, sem regras da ABNT, sem rodeios ou, com rodeios, mas estil\u00edsticos, rodeios que deem sabor \u00e0s palavras, que as tornem palat\u00e1veis, temperadas e, na medida do poss\u00edvel, que deixem o leitor com \u00e1gua na boca. Escrever simples, sem simplificar ou ser simpl\u00f3rio. Simples. A banda Nenhum de N\u00f3s tem uma m\u00fasica que me vem \u00e0 cabe\u00e7a neste momento. Simples \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de amor, nada que ver com Educa\u00e7\u00e3o, diz ela:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'book antiqua', palatino, serif;\"><em>Mas nada que eu diga me parece exato<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'book antiqua', palatino, serif;\"> <em>Nada que eu pense tem um sentido claro<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'book antiqua', palatino, serif;\"> <em>Nenhuma can\u00e7\u00e3o vai me ajudar a descobrir<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'book antiqua', palatino, serif;\"> <em>[\u2026]<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'book antiqua', palatino, serif;\"> <em>Queria te dizer<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 14pt; font-family: 'book antiqua', palatino, serif;\"> <em>Palavras simples<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 14pt;\"> <em>Mas a palavras certas n\u00e3o existem no universo inteiro<\/em><\/span><\/p>\n<p>Educar \u00e9 um ato de amor. N\u00e3o, n\u00e3o desse tipo de amor. A L\u00edngua Portuguesa tem muitos usos para a palavra amor, abrasileirada, ganha mais tonalidades ainda. Amor aqui, no ato de educar, \u00e9 um querer compartir. Amor aqui nada tem de sacerd\u00f3cio, de abnega\u00e7\u00e3o de si mesmo, de doar-se. \u00c9 um amor que d\u00e1 justamente porque ao dar, n\u00e3o perde. Paulo, o Freire, me ensinou que educar \u00e9 um ato de generosidade. Uma generosidade amorosa. Anos antes do encontro mais \u00edntimo com os escritos do Freire, um outro professor j\u00e1 havia plantado uma ideia na minha cachola rocinante. Edson, o de Oliveira, numa de suas aulas, em tom jocoso, disse-nos: se vai dar certo ou se vai dar errado, o importante \u00e9 dar. Rimos todos. Dar, o importante \u00e9 dar. Demorei anos para entender que por detr\u00e1s da jocosidade havia amor. Educar \u00e9 um ato de amor. Dar, por isso damos aulas, ainda que sejamos pagos para isso, ainda que n\u00e3o sejamos reconhecidos por isso.<\/p>\n<p>Parei o carro no farol, o mesmo farol que fez famosa uma das minhas cr\u00f4nicas do facebook. Famosa porque muita gente curtiu, ainda que muita gente aqui seja apenas um punhado de amigos, alunos e ex-alunos, \u00e9 o meu microcosmo, \u00e9 muita gente. Famosa porque acabou parando na sala de aula de uma aluna que usou a minha cr\u00f4nica para ensinar o que \u00e9 uma cr\u00f4nica. Ir\u00f4nico! Deixei o doutorado para escrever cr\u00f4nicas e, uma delas ao menos, encontrou caminho para a sala de aula, insistiu em ser o que eu n\u00e3o queria, um texto acad\u00eamico. Um texto de uso acad\u00eamico, um exemplo em aula sobre os elementos de um g\u00eanero liter\u00e1rio. Aprendi outra li\u00e7\u00e3o que j\u00e1 me havia sido dada, mas que s\u00f3 foi apreendida diante desse fato inusitado. Nossas palavras s\u00e3o nossas apenas enquanto o texto est\u00e1 inconcluso. Ser\u00e3o apenas nossas se as deletarmos no dia seguinte, pois ao torn\u00e1-las p\u00fablicas, deixam de ser nossas, passam a ser suas, leitor. Fogem de nossos prop\u00f3sitos, escapam-nos e ganham vida nas mentes de quem \u00e0s l\u00ea. Damos as palavras, n\u00e3o as escrevemos.<\/p>\n<p>Escrever simples, simplesmente escrever. Escrever, ainda que as palavras certas n\u00e3o existam no universo inteiro, invento-as. Esse sou eu falando comigo mesmo, a minha escrita, as minhas ideias. Se vai dar certo, ou se vai dar errado, o importante \u00e9 d\u00e1-las. \u00c9 o que eu farei aqui, vez ou outra, leitor. Dar-te-ei algumas palavras, sobre o que for, ainda que sejam sobre Educa\u00e7\u00e3o, dar-te-ei e, dai em diante, \u00e9 com voc\u00ea. Boa sorte!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Edgar<\/strong> \u00e9 educador, professor de v\u00e1rias coisas em v\u00e1rios lugares. Mestre em Educa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m estudou Letras e Filosofia. Escreve para por para fora o que n\u00e3o cabe na ca(i)chola.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro Texto por Edgar Domingo de Albuquerque &nbsp; Quando Regina me convidou para escrever aqui, confesso, fiquei relutante. N\u00e3o por medo de embarcar nessa aventura, escrever t\u00eam sido uma experi\u00eancia cada vez mais intensa nesta fase da minha vida, a relut\u00e2ncia foi sobre o qu\u00ea escrever. Educa\u00e7\u00e3o, \u00f3bvio. 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