Acima de Mcload Ganj em meio a um lindo bosque, repleto de bandeiras de oração está o Tushita Meditation Centre. Ao adentrar o portão ouvimos apenas o silêncio e o sussurro dos ventos trazidos do Himalaia. Sentimos uma energia vibrante, ao caminhar pela trilha que leva ao templo podemos ver as pinturas típicas tibetanas, sua beleza repleta de detalhes e simbologia encantam os olhos e o coração. Estávamos ali para reencontrar nossa amiga Archhana Kombrabail, que conhecemos em Nova Deli, ela foi diretora do centro de meditação por anos e havia recentemente deixado o cargo para se dedicar ao estudo da língua tibetana. Fomos recebidas em uma linda manhã e tivemos uma conversa deliciosa e inspiradora, ela nos mostrou o templo, os jardins, a estupa, biblioteca e contou-nos um pouco sobre as atividades que são desenvolvidas no centro.

Ali são oferecidos ensinamentos e retiros que duram em média 10 dias, os participantes não pagam pelos ensinamentos apenas pelos custos de hospedagem e alimentação. Os alunos também participam durante sua estadia das atividades de limpeza e manutenção do local. Os alunos recebem uma introdução ao Budismo e são extremamente populares. Muitas pessoas de todo o mundo foram introduzidas aos ensinamentos de Buda no Tushita. Para participar é necessário inscrever-se com bastante antecedência pois as vagas são limitadas e costumam ser preenchidas rapidamente. As informações sobre os próximos cursos e atividades estão no site www.tushita.info

Um pouco da história do local

Nos anos 60 “buscadores” ocidentais conheceram Thubten Yeshe e seu principal aluno Lama Zopa no Norte da Índia e buscaram um local apropriado para receber seus ensinamentos. Eles encontram uma propriedade em Kopan Hill em Katmandu, Nepal e realizaram o primeiro curso de meditação de um mês. Como o número de buscadores ocidentais estava aumentando os Lamas Yeshe e Zopa compraram uma casa colonial que ficava em Dharamshala próximo a vila de Dharamkot e estabeleceram ali um centro de retiros que mais tarde se tornou o Centro de Meditação Tushita, que significa “lugar de alegria”, a terra pura do vindouro Buda Maitreya.

Tushita se desenvolveu muito desde sua fundação, os ocidentais se interessaram cada vez pela filosofia budista e meditação, o que gerou um aumento na demanda por cursos, especialmente depois que Sua Santidade o Dalai Lama recebeu o prêmio Nobel da paz em 1989. Lama Zopa Rinpoche (que se tornou o diretor espiritual depois que Lama Yeshe faleceu em 1984), decidiu que Tushita já não poderia dar prioridade à algumas pessoas experientes em fazer retiros e o centro começou a oferecer cursos básicos de forma regular, facilitando o acesso de iniciantes aos ensinamentos.

Alguns anos depois da Lama Yeshe falecer, sua reencarnação foi reconhecida como um garoto espanhol chamado Osel. Lama Osel foi entronizado no Tushita na idade de três anos. Hoje, ele prefere ser chamado simplesmente de “Osel” e é um aspirante a cinematógrafo. Ele também é um membro do Conselho FPMT que continua a estudar e ganhar experiência. Para obter mais informações sobre o tema da reencarnação, Lama Yeshe e Osel altamente recomendamos a leitura: “Reencarnação: O menino Lama” por Vicki Mackenzie.

A sala do Lama Yeshe no Tushita foi re-criado tão próximo quanto possível do jeito que estava quando Lama Yeshe o deixou. Quando H.H. Dalai Lama visitou Tushita em 1997, ele foi direto para este local e prostrou-se em frente ao assento do seu antigo tutor, Trijang Rinpoche. Lama Zopa Rinpoche, nosso diretor espiritual, pediu para Tushita ter grande cuidado com esta sala durante o trabalho de renovação do edifício principal, que começou em 2007. Nesse sentido, o quarto foi incorporado os planos para novo Gompa com exatamente as mesmas dimensões como o do antigo prédio, e a mobília e pertences de Lama Yeshe foram devolvidos para as mesmas posições que antes. Nosso plano a longo prazo é para abri-lo como um museu público.

Desde a década de 1990, o programa do Tushita expandiu-se para acomodar o aumento do número de turistas em Dharamshala, que estão ansiosos para aprender sobre o budismo tibetano. Através de cursos mensais de dez dias, milhares de visitantes de todo o mundo reúnem-se aqui para ouvir sobre o Dharma, um serviço que Lama Zopa Rinpoche afirmou ser agora a principal finalidade do Tushita. O presente Ling Rinpoche, nascido em 1984, disse em uma entrevista que Tushita é muito precioso: “tornou-se como um lugar de peregrinação a todos os gurus e grandes lamas”.

Sem dúvida nossa visita nos deixou com um gostinho de quero mais, o ambiente, os mestres que ali viveram, os altares e imagens de Buda nos propiciaram uma chuva de bênçãos, nos despedimos de lá com o coração repleto de alegria e uma grande vontade de um dia voltar para aprender sobre os ensinamentos de Buda. Agradecemos imensamente a oportunidade de conhecer pessoas tão incríveis e generosas como Archhana Kombrabail e a atual diretora do centro que nos receberam de braços abertos e nos acompanharam em nossa visita.

E assim fechamos nossa viagem com chave de ouro e deixamos Dharamshala para retornar a Nova Deli e depois para casa no Brasil. Partimos mas deixamos um pedaço de nosso coração entre as montanhas. Deixo vocês com as imagens do aeroporto de Kangra, onde nos despedimos dos Himalaias…

Visitar a Índia, conhecer tantos lugares sagrados, cidades, templos, rios, cachoeiras e pessoas maravilhosas deixaram marcas profundas em nossa alma. Nossa jornada termina com o desejo de visitar novamente este país e seu povo que nos inspirou com sua espiritualidade, hospitalidade, simpatia, criatividade, resiliência e beleza. Não digo que este será um Adeus e sim um Até breve, já estamos com saudades!

See you soon!

Namastê!
Regina Proença

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