Minhas crenças são muito simples; colhemos aquilo que plantamos. Isto é fácil de compreender e difícil de realizar.
Acredito que somos como sementes e raízes, e que tudo na vida depende de como cuidamos das etapas que se entrelaçam e devem ser cuidadas todo dia. Da mesma forma que cultivamos nossa saúde através de ações diárias, com exercícios, uma dieta saudável e uma combinação de trabalho, descanso e lazer, evitando as “tranqueiras” e excessos; devemos também cuidar da saúde de nossa alma, buscar práticas e filosofias para viver em paz. Precisamos ir além das aparências, além dos discursos e postagens no Facebook.
Ações éticas, espirituais e/ou ecológicas devem ser como sementes que cultivamos em nossa alma, com tempo e cuidado veremos nascer os brotinhos, os primeiros sinais de crescimento. Na natureza o processo é lento, não vemos as raízes enquanto estão se desenvolvendo, no escuro e fora de nossa vista elas crescem, fornecendo uma base segura para os dias mais difíceis e aprofundando nossa busca a cada momento.
Quando decidi trabalhar com filosofia, meditação e educação, não pude deixar de notar a proximidade destas coisas. Percebo que a vida acontece como um grande banquete, podemos escolher qual comida nos interessa mais, onde nosso paladar sente mais prazer. A riqueza e variedade de temperos, todas as combinações possíveis e principalmente a energia que o alimento proporciona ao nosso corpo. O processo de digestão é como uma purificação em nosso templo; como um fogo sagrado que consome nossas oferendas e descarta aquilo que não é mais necessário. Nossa mente é o que nos guia até os prazeres, podendo nos escravizar ou libertar, quando ingerimos sempre as mesmas comidas ou pensamos sempre nas mesmas coisas, colocamos em segundo plano aquilo que deveria ser nossa prioridade. Ficamos neuróticos e/ou raquíticos espirituais. Acontecem assim os distúrbios emocionais (depressão, síndrome do pânico, compulsão e transtornos em geral), sentimos que estamos fora do padrão, então nos jogamos em busca de modelos ideais (e irreais) que vemos desfilar na televisão e nas propagandas de produtos em geral.
Somos escravizados e nem percebemos. Ficamos chocados quando algum ator ou modelo é internado com problemas de saúde, seja por causa de depressão, pelo uso de drogas ou bulimia. Parece incrível que estas pessoas (que conseguiram aquilo que acreditamos trazer felicidade, como: fama, dinheiro, magreza, etc) possam ter problemas tão graves e sejam tão infelizes.

Onde está a solução para nossa insatisfação e como buscá-la?

Se nos voltarmos para nossas origens, nossas raízes mais profundas, nossa essência primordial de onde toda criação manifestou-se, iremos encontrar a Unidade. Não há arvore, por mais frondosa que seja, que não tenha brotado de uma única semente, apenas uma é o bastante. Assim são nossas ações, sementes que carregam a energia e informação de todos os nossos ancestrais, físicos e espirituais.
Ao plantarmos nossas sementes (e ações) devemos cultivá-las e com muita paciência e perseverança. Aguardar seu desenvolvimento silencioso e contínuo para que um dia possamos desfrutar de sua sombra, flores e frutos.
Não tenha medo de mudar, de buscar pessoas e locais que tragam um significado mais profundo em sua vida. É necessário encontrar um propósito que forneça a energia e alegria para vivermos todos os dias como uma graça, um presente que recebemos ao despertarmos a cada manhã.
Faça parte deste banquete, não é preciso ser convidado e nem pertencer a algum grupo especial, basta ser Humano, esta é a única credencial necessária para desfrutar do privilégio da consciência divina. Seja um jardineiro neste paraíso você também!

 

Regina Proença é filósofa, mestra em Comunicação e Cultura. Atualmente coordena os projetos do coletivo cultural Fora da Caixa.

 

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