Esta semana fomos forçados a lidar com a morte através da ação violenta e assassina de dois ex-alunos de uma escola pública em Suzano/SP. Ainda está difícil aceitar os fatos e lidar com a falta de explicação e humanidade destes jovens perturbados. Sabemos que a violência está sempre nos rondando, mas quando somos pegos de surpresa por ações tão cruéis, sentimos uma dor no peito e temos necessariamente que parar para refletir sobre as causas que levam a tragédias como esta.

Quando repito inúmeras vezes que precisamos urgentemente trazer a não-violência e a cultura de paz para o contexto escolar é, na verdade, um grito de socorro, pois não há como mudar as mentes e corações das pessoas se não oferecermos programas de educação que falem com os jovens sobre bullying, preconceito, autoestima, valores e prevenção de suicídio. A única maneira de impedir novas tragédias é a prevenção e para isso temos que aprender a lidar de maneira elevada e pacífica na busca de soluções de divergências e conflitos.

A falta de diálogo, empatia, inclusão e compaixão jamais poderá ser resolvida com a mesma lógica que cria a violência, jamais resolveremos esta situação colocando armas nas mãos de professores (que obviamente não estão na escola para fazer a segurança dos alunos, muito menos matar possíveis agressores). Esta solução simplista reproduz a mesma lógica do assassino, “quem matar primeiro ganha”. Mas a verdade é que perdemos todos. Perdemos vidas, saúde, sanidade e continuamos a nos sentir impotentes perante situações extremas como esta. Infelizmente, este governo tem feito propostas absurdas na área da educação e isso, além de não ajudar, atrapalha e muito a implementação de ações eficazes.

Professores, educadores, psicólogos, coordenadores e pais devem se unir para mudar a maneira como encaramos a educação, não apenas nas escolas, mas também no âmbito familiar. Vamos aproveitar a comoção do momento e rever nossas posturas, buscar conhecer a vida emocional e social de nossos filhos, acompanhar de perto suas angústias, questionamentos e verificar o tipo de programas e amizades que influenciam suas vidas.

Não adianta dar todos os tipos de objetos materiais como telefones, tablets, videogames, roupas de grife, se o que as crianças e jovens mais precisam é de atenção, carinho, cafuné e uma boa conversa. Para isso, os pais terão que dedicar mais tempo, sair do automático e colocar bem claramente para eles o quanto são amados e aceitos. Diálogo e reflexão são urgentes e necessários, temos que iniciar este processo dentro de nossas casas, não podemos transferir para escola o ensino sobre valores, ética, respeito, sexo, drogas, bullying, depressão, suicídio e espiritualidade. Se você não conversar com seus filhos sobre estes assuntos agora, hoje, talvez amanhã seja tarde demais.

Que esta tragédia possa ser transformada em ensinamento. Assim, quem sabe, um dia não mais tenhamos que ver cenas tão chocantes e violentas dentro de nossas escolas.

Minhas preces vão para os familiares, amigos e funcionários da escola em Suzano.

Regina Proença

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