Estamos passando por um treinamento intenso e tenso, nível hard mesmo. Lá fora o céu está azul e o silêncio das ruas nos permite ouvir o som dos pássaros e do vento. Mas nada está como antes. Não há graça em desfrutar destes dias ensolarados. O momento nos desafia a encarar a nós mesmos, isolados ou em trabalho à distância; muitos de nós temos a sensação de que o mundo está mudando enquanto em casa estamos.

Se ficarmos confortavelmente quietinhos em nossa bolha, isso pode nos deixar mais preguiçosos. Afinal, não há compromissos que exijam nossa presença. O distanciamento social deixa um gostinho meio amargo na boca pois temos que aprender à força a sermos mais flexíveis, sem exagerar no medo, mas sabendo que as prioridades devem ser mudadas.

Todos os planos e projetos que estão sendo adiados deverão receber uma dose extra de energia quando esta onda passar – talvez, durante esta pausa, possamos identificar o valor real de cada um deles. A importância daquele trabalho, a relevância daquilo que faço, a importância do meu papel na sociedade.

O valor inestimável de um amigo, um companheiro (a), dos familiares, dos chefes e empresas que prestamos serviço. Entendo que a economia é importante, mas observamos que a criatividade e adaptação são aguçadas em momentos de crise e, como diz o ditado, “A necessidade é a mãe da criação”. Ao buscarmos soluções para novos desafios, encontramos meios para um renascimento. Todos sairemos transformados desta experiência, mas precisamos aprender a ser flexíveis e manter o foco ao mesmo tempo. Nada fácil, mas necessário.

Nossa espécie está diante de um salto de evolução, nossas escolhas como indivíduos e nação podem determinar nosso carma futuro. Seremos lembrados por nossa compaixão, cuidado e generosidade ou ganância, estupidez e arrogância? Podemos escolher a cada momento quais sementes plantaremos em nosso caminho. Se sua prioridade é manter sua vida saudável e cuidar para que todos tenham condições de se cuidar enquanto esperamos as coisas melhorarem, seu coração está no lugar certo. Não é difícil de saber quando estamos lidando com pessoas sem coração – comumente seus interesses vão no sentido contrário à vida. Um caminho sem coração só pode levar ao abismo.

Nossa alma sofre pela morte de tantos filhos, irmãos, pais e avós pelo mundo. A morte nos remete à nossa impotência pois tudo o que vive, um dia morrerá. Talvez não hoje, amanhã ou pelo vírus, mas nossa morte é certa, ninguém escapa daqui vivo. Porém podemos talvez adiar esta passagem, tentar nos “esconder” do vírus é uma estratégia. A reflexão mais importante não deveria ser apenas em ficarmos vivos, mas trazer um significado maior à nossa existência. Cavar bem fundo em nossa alma e encontrar aquele diamante que ficou soterrado pelas preocupações mundanas. Oferecer nosso melhor aos que estão à nossa volta, dar uma atenção especial aos que se sentem desamparados e sofrem pelo isolamento. É hora de dar aquele telefonema, conversar sem pressa, tomar um chá ou café com gratidão no coração. Orar, meditar, escrever, desenhar, pintar e fazer os planos para sua versão atualizada de humanidade pós-vírus. As marcas deixadas por este período ficarão. Assim como nossas cicatrizes trazem a marca de sofrimentos, elas também podem representar as batalhas vencidas e superadas. Que orgulho sentiremos de nós mesmos quando superarmos este momento com união e discernimento! Nossa fé na humanidade será renovada com a incontestável conclusão de que juntos somos melhores. Aspiro que este sofrimento coletivo se transforme em sabedoria e possa gerar muitos méritos para nossa comunidade humana. Sairemos vitoriosos se a luz do amor guiar nossas ações!

Regina Proença

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