Quando escolhemos esta atividade para viver, já somos revolucionários. Todos dizem admirar esta escolha, mas poucos realmente entendem as dificuldades que se apresentam no cotidiano. Ajudar alunos a aprenderem as matérias curriculares é o menor dos desafios. A maior parte das frustrações relacionadas com esta nobre profissão está nas estruturas ultrapassadas das escolas e os modelos de ensino. O mundo mudou, as relações entre o conhecimento e as informações também. O resultado de provas e exames simplesmente não refletem a verdadeira essência de nosso trabalho.

Devido ao aumento de crianças e jovens com quadros de ansiedade, depressão, automutilação, bullying e suicídio, temos que refletir sobre o papel que os professores e a direção das escolas desempenham. Não dá mais para usar a desculpa de que os alunos deveriam vir “educados” de casa. Num mundo perfeito, isso seria óbvio, mas não encontramos relação com o mundo real que está aí. A escola não deve se omitir ou justificar seu olhar superficial sobre estes temas – muitos dos jovens passam mais tempo em contato com seus professores e colegas do que com seus familiares. Os pais, em sua maioria, estão trabalhando e precisam dedicar a maior parte de seu tempo a encontrar soluções financeiras para suas despesas, com a vida cada dia se tornando mais cara. O estresse e as dificuldades do cotidiano se multiplicam. Oferecer uma vida melhor aos filhos pode significar precisar da ajuda dos professores, coordenadores e diretores das escolas e da comunidade.

Temos que abrir nossas mentes e, principalmente, os corações para estas crianças e jovens; ter um olhar amoroso e compassivo para ajudar nas crises e situações de vulnerabilidade que se apresentam. Lavar as mãos e não oferecer apoio aos adolescentes e suas famílias apenas agravam as consequências.

Nós, do Coletivo Fora da Caixa, temos desenvolvido programas de educação sócio emocional, tanto para professores quanto para alunos, por vários anos e sabemos que educar através do diálogo, da compaixão e do exemplo são um desafio, porém, os resultados são tão gratificantes que superam todos os obstáculos do caminho. Acompanhar o amadurecimento, as conquistas e o empoderamento de nossas crianças e jovens aumentam a cada dia nossa disposição e confiança de que estamos no caminho certo.

Devido ao abandono ou falta de tempo das famílias, a escola terá que conversar sobre respeito, ética, inclusão, autoconhecimento, espiritualidade, política, saúde mental, depressão e ansiedade com seus alunos. Estes assuntos não são fáceis de lidar, mas se queremos mudanças na sociedade, temos que parar de esperar que os outros (ou a família apenas) tenham essa iniciativa. Incorporar estes assuntos nos currículos exige uma preparação adequada dos professores e é claro que as escolas que não oferecerem um espaço para o desenvolvimento destes temas certamente terá que enfrentar as consequências a curto ou médio prazo. Educar para a Paz não é um luxo, é uma necessidade.

Acho que todos temos ou tivemos, em algum momento na vida, um professor que foi um modelo, não apenas porque ensinava o conteúdo, mas que ensinava a viver. Um bom professor pode ser amigo, confidente, terapeuta, inspiração e ainda ensinar bem sua matéria. O acúmulo de funções não representa bons salários, como já é sabido, mas a auto realização que nos acompanha pode superar outras profissões de longe, mesmo as melhores remuneradas e respeitadas. Ser professor não dá status, não dá dinheiro nem respeito da sociedade, por isso mesmo os “super poderes” são tão necessários. Assim como os heróis, somos perseguidos, mal compreendidos, nem sempre reconhecidos e muitas vezes julgados e criticados, principalmente por aqueles que não desejam ver os jovens com pensamento crítico, exigindo mudanças e mostrando aos diretores e governantes sua insatisfação.

Assim como os super heróis, seguiremos adiante, realizando nossas proezas, sendo os legítimos representantes dos menos favorecidos, tentando elevar o nível acadêmico e, principalmente, aprimorando o caráter de crianças e jovens.

Temos que celebrar todos os dias nossos mestres, amigos, protetores! Sem sua dedicação, carinho, amor e companheirismo, o mundo seria um deserto!

Queridos professores, que a Força sempre esteja presente em suas vidas!

Mãos em prece. 

Regina Proença

Comentários Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *