Estamos juntos em nosso isolamento. “O dia que o mundo parou” previsto na música de Raul Seixas finalmente chegou. Isso pode ser um divisor de águas para nós como espécie. Momento quando nos encontramos a mercê de um inimigo invisível, sorrateiro e que pode estar ao nosso lado nos locais públicos e privados. Não há armas, exércitos, chefes de estado, poder ou força que possa intimida-lo.

Esta é uma oportunidade preciosa para nossa espécie. Há muito que se refletir sobre nossa arrogância e as grandes quantias investidas em armamentos para lutar contra outros humanos, que se encontram agora na mesma situação que o mundo todo. Esta experiência nos joga na cara o quanto somos interdependentes, vulneráveis e frágeis. Se olharmos para o momento com compaixão, poderemos lapidar nossas ações e evoluir como espécie. As linhas imaginárias que nos dividem foram eliminadas, o vírus não reconhece países, etnias ou religião. Não se importa com sua conta bancária, sua posição social ou autoridade. Todo nosso esforço em tentar se mais ou melhor do que os outros está anulado.

Espero que a consciência coletiva se eleve e faça com que o respeito aos hábitos de cuidado de si e dos outros nos mostre o quanto somos fortes quando unidos. Temos duas escolhas possíveis para o futuro próximo: ou resistiremos juntos, unidos como irmãos ou padeceremos juntos como tolos.

Aspiro que nossa alma responda ao chamado e escolha a Vida, não apenas a sua e dos seus, mas a vida de todos os seres humanos. Não seja egoísta, mesquinho e inconsequente. Podemos temporariamente deixar de lado nossa rotina para cuidar si e de todos, mesmo que haja alguns prejuízos materiais, atrasos e adiamentos. Não há possibilidade de adiar a contenção deste contágio, nada adianta se expor como se portasse um escudo protetor que fosse impenetrável. Seja sábio, seja bom, use este intervalo nas atividades do cotidiano para refletir, meditar, estudar e definir como serão seus próximos passos depois de tomar consciência “na pele” que somos de fatos todos unidos pelo mesmo fio. Não quero soar alarmista, sei que como toda onda, esta também vai passar. Pode levar muitas coisas e muita gente com ela mas vai passar. Mas não podemos perder a lição. Podemos usar este momento para sermos nossa melhor versão, que nossa ignorância possa diminuir e aumentar nossa compaixão, nosso discernimento e ilumine nossas ações. Cuidemos de nossa família humana! Depois desta onda poderemos sair fortalecidos e revigorados, mais sábios que antes, mais humanos.

Que estes obstáculos possam se transformar em oportunidades de iluminação!

Mãos em prece,

Regina Proença

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