Não se conforme!

É o que sempre aconselho a meus amigos e alunos. Pessoas “conformadas” não mudam nada, justificam sua omissão nos casos de injustiça, violência, corrupção e ainda concluem: “Ninguém muda ninguém ou o mundo é assim mesmo…”. Nestes momentos, quando ouço alguém dizer isso, um filme passa em minha cabeça, cenas que remontam ao período das cavernas até o homem viajando pelo espaço…

Após refletir sobre todas as possíveis respostas, acabo muitas vezes por me dar conta que “cada um tem o mundo que cria”, assim como cada um tem o deus que merece. Nada está além de nossa mente, nosso ego e agimos como se nada nem ninguém estivesse à altura de mudar o curso da humanidade no sentido do bem, da paz e concórdia.

Conformada é algo que não sou. Posso ser sonhadora, idealista, pacifista, ativista e muito mais, e na maioria das vezes que alguém me diz estas palavras, elas são “atiradas” a mim, beirando um xingamento, quase que justificando o fato de eu “ser assim” por dedicar a minha vida a propagar a não-violência, ética, o altruísmo e a educação para paz.

As pessoas me perguntam se vale a pena, se dá dinheiro, se é uma fase ou se os resultados são mensuráveis. Sim e não, são as minhas respostas. Sim, vale a pena. Não, não dá dinheiro (mas como este não é meu objetivo, estou fazendo porque posso, não se trata de um comércio, é uma doação). O pagamento acontece e vem das formas mais incríveis e valiosas, como algo que me aconteceu na semana passada.

Tenho uma aluna querida de 17 anos que está indo fazer intercâmbio no Canadá. Mesmo com a aproximação da sua viagem, sendo a primeira imersão dela no exterior e todas as angústias que envolvem esta mudança, ao invés de me pedir para fazer uma revisão do inglês ou intensificar nossas aulas, ela me pediu que eu a ensinasse a meditar. Fiquei radiante e fiz o melhor que pude com o pouco tempo que ainda restava para iniciá-la nas práticas. Mais do que a habilidade de falar outro idioma, devemos nos preparar para manter nossa mente e emoções equilibradas. Isso, para mim, vale mais do que dinheiro, é um tesouro.

A paz começa em nós. A paz não é um acordo político, um período entre guerras, uma pausa na violência, algo que acontece “lá fora”, decidida por alguém. Se a paz não começar em você, não adianta buscar fora. Pois o mundo, você sabe… sempre foi assim… ninguém muda.

Aos desavisados, essa é uma ironia, o mundo muda e muito. Se não mudasse, ainda estaríamos nas cavernas. Mas se nos referirmos à caverna de Platão, muitos ainda vivem dentro dela. Mas nem todos.

E você, esta dentro ou está fora?
Você está satisfeito com sua vida?
Tá tranquilo e favorável?
Tá rico?
E o principal, está em paz?

Se para as três primeiras perguntas acima sua reposta é Sim, Parabéns! Você está oficialmente conformado, e por isso está entorpecido, insensível e inerte. Enfim, está aqui a passeio. Pois como dizia Luther King, “O que me assusta não é o grito dos violentos, é o silêncio dos bons”. Para que o mal se perpetue, basta sermos omissos, conformados e cúmplices.

Caso suas respostas não se encaixem no perfil acima e sinta que poderia fazer algo, mudar o mundo que também é seu; se você está “inconformado” com o estado das coisas, temos boas notícias: você não está sozinho!

Somos muitos, estamos espalhados, assim como as estrelas no céu, brilhando e embelezando nosso universo. Quando alguém me diz que “uma andorinha não faz verão”, penso em Jesus. Quando alguém me diz que “o mundo nunca será diferente”, penso em Gandhi. Quando alguém me pergunta “vale a pena?”, penso em Mandela. E quando alguém me diz “a culpa é dos outros”, penso: tenho muito trabalho a fazer…
O trabalho que realizamos no Coletivo Fora da Caixa tem a intenção de abrir as mentes, corações e oferecer instrumentos que sirvam para cutucar e incomodar os acomodados e, por outro lado, criar um espaço para acomodar e acolher os incomodados, ajudando a transformar essa energia em ações engajadas e pacíficas.

Assim, de um em um, fazemos o nosso melhor. O número de pessoas que atingimos e somos não é tão importante, afinal Gandhi era um. Luther King era um. Jesus e Buda eram um e há tantos outros “UNS” pelo mundo afora. Sim, somos apenas mais UNS, cada um com sua cruz, luz e bênçãos.

Mas mais importante é que estamos juntos, sonhamos coletivamente. E ninguém é melhor que todos nós juntos!

Saudações aos que, como estrelas, brilham na escuridão para iluminar o mundo!
Vocês são e sempre serão nossos heróis!

Mãos em prece!
Regina Proença

 

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