Sabemos que este ano foi difícil de manter o ânimo e a fé, mas sempre que somos desafiados e os problemas não têm uma solução fácil ou rápida, temos que nos transformar para seguir adiante. Assim como quando encaramos uma montanha intransponível e desejamos chegar do outro lado, não podemos perder tempo reclamando e amaldiçoando o caminho – temos que, passo a passo, deixar onde estamos e ir em direção ao futuro, com a esperança e determinação de alguém que já superou muitas dificuldades e ainda está em pé, firme e, apesar de cansado, nem pensa em desistir. 

Assim vejo meu trilhar neste ano que parece ter sido uma vida. Comecei 2020 com a morte de meu pai, logo na primeira quinzena de janeiro, um pouco antes de começar a pandemia. Desde então, minha vida mudou completamente. Tive que assumir a responsabilidade à frente da empresa que ele administrava há mais de 20 anos, deixei de lado meu ofício de professora e minha rotina esteve focada em manter a empresa funcionando, apesar das restrições impostas pelo avanço do Coronavírus. Aprendi muito, tive auxílio dos funcionários, amigos e família, passei boa parte do ano tentando encontrar soluções para antigos problemas e percebi que era uma luta inglória – quanto mais eu trabalhava, mais impostos tinha que pagar e o lucro era perdido nas manutenções dos caminhões e tributos. Estive o ano todo trocando seis por três e decidimos fechar as portas. Com o coração e consciência em paz, decidimos pelo encerramento das atividades. 

Em paralelo, tive a oportunidade de desenvolver outras habilidades, artísticas e comerciais, que passaram a ser o foco de meu trabalho. Abrimos um ateliê e loja, passamos a criar produtos feitos de madeira, resina, velas, sabonetes e retomamos um sonho de trazer produtos da Índia. Quando comecei a desenvolver estes produtos, nem imaginava que iria fechar a empresa, mas parece que tudo estava sendo planejado “lá em cima”, para que esta transição acontecesse sem grandes traumas e assim foi. 

Agora que estamos finalizando 2020, já temos a perspectiva de uma vacina e certamente o próximo ano será muito melhor, mais próspero e menos sofrido.

As atividades culturais, os cursos, oficinas, projetos sociais, educacionais e solidários que antes eram realizados na sede do Coletivo Fora da Caixa passarão, aos poucos, a acontecer na sede do Ecoworkshop, pois aqui temos espaços abertos que podem acolher diversas atividades e possibilitam o encontro de pessoas sem o risco dos ambientes fechados. Vamos aproveitar o recesso de final de ano para preparar e adaptar os espaços para receber novos projetos em 2021. Sentimos muita falta dos encontros, das reflexões e, principalmente, de manter os sonhos do Coletivo Fora da Caixa vivos e disso não abriremos mão jamais. 

Por isso temos motivos para celebrar, mesmo que timidamente. Mantendo o distanciamento, já sentimos a energia da renovação se aproximando, trazendo a alegria e a esperança de dias melhores. Estamos convictos que todos poderão, em breve, participar dos encontros e cursos em 2021 e que, a cada encontro, fortaleceremos os laços que nos unem. Hoje sabemos a diferença que faz um abraço, um aperto de mão e os beijos carinhosos dos amigos e familiares. “Saudades de aglomerar, né minha filha?” Pois é, mas ainda não dá, falta só um pouquinho…

Convido a todos a enviarem suas preces pelos que se foram, por todos que ficaram e ainda podem passear pelo mundo. Aspiramos que num futuro próximo possamos nos reunir em um longo abraço, sem medo, sem dor e nem tristeza. 

Até lá, espero que se cuidem e mantenham acesa a luz em seus corações!

Regina Proença

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