Apesar de ouvirmos coisas maravilhosas sobre a meditação, sobre como as pessoas que praticam são calmas, pacíficas e mais saudáveis ainda não entendemos muito como isso ocorre pois parece que esta prática solitária esta ligada a uma religião ou a um grupo de pessoas especiais.
Quando não estamos buscando uma nova religião ou não estamos nos sentindo assim “tão especiais” pensamos que não será útil tentar e nos afastamos da idéia sem nem mesmo dar uma oportunidade para os benefícios desta prática milenar.
Da mesma forma que adiamos as dietas e os exercícios físicos com desculpas e alegando que teremos muito tempo para mudarmos nosso estilo de vida assim que “desejarmos” acabamos por abandonar o projeto antes mesmo de iniciá-lo.
Não vou enganá-los dizendo que é fácil ou prazeroso meditar, principalmente no início, onde todas as nossas ansiedades e resistências se apresentam numa maior intensidade mas após esta primeira fase começamos uma relação de amor que pode transformar nossa vida pra melhor e definitivamente.
Nossa sociedade valoriza o externo, qualquer coisa que leve para o interior e que não seja aparente é deixado de lado, é mais fácil comprar uma roupa nova ou algo que outros possam ver do que investirmos tempo e dinheiro em algo que só você vai sentir ou saber, porém podemos estar usando um anel de diamantes ou estar em um carro importado mas isso não altera nosso estado de espírito, apenas distrai nossa atenção e a atrai a atenção dos outros.
Tudo bem, queremos ser aceitos, apreciados e amados, não há nada de errado nisso mas a que preço? Será que estamos condenados a buscar essa aceitação ao avesso? Quando vamos parar de permitir que esse narcisimo neurótico nos domine? Aliás, o mito de Narciso, jovem belo que morre afogado pois salta no lago em busca de seu reflexo acreditando estar apaixonado quando na verdade é a sua imagem que está refletida é muito mal interpretado, pois o que o leva a morte não é um amor a si próprio e sim uma ilusão, uma imagem falsa que se esvai assim que tocamos a superfície, se realmente ele estivesse amando a si próprio não buscaria fora e sim dentro dele mesmo a fonte deste sentimento.
Durante a meditação resgatamos esse amor, reconhecemos nossas dificuldades e prestamos atenção ao nosso coração, podendo assim buscar uma mudança, sendo nosso melhor amigo, acolhendo todas as emoções e ouvindo nossa intuição. A partir daí começa um processo de cura, tão sutil e profundo que eleva nossos pensamentos, fortalece a musculatura espiritual e nos deixa livres para sair da prisão dos impulsos e da apatia.
É importante ter alguém de confiança para iniciar este processo, da mesma forma que buscamos um professor para nos ensinar a ler e escrever, um médico quando estamos doentes ou um sacerdote quando estamos aflitos, também devemos buscar alguém que nos inicie com segurança nesta jornada, um tipo de “guia turístico” espiritual, que esclareça as dúvidas, ajude a encontrar a postura e respiração adequadas para esta viagem interior. E o melhor de tudo, temos um universo dentro de nós, podemos ir as alturas ou as profundezas, sem precisar sair do lugar. Basta sentar, se alinhar, respirar e boa viagem!!!

Regina Proença é filosofa, mestra em Comunicação e Cultura. Atualmente trabalha na UBS do Cerrado em seu projeto de pesquisa de Doutorado, estudando os efeitos da meditação em pacientes portadores de diabetes e hipertensos.

Venha meditar conosco no dia 13/05/2017

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