Como não se indignar?
Até quando vamos assistir passivamente os noticiários de mortes causadas pelo extremismo? Vidas que são interrompidas por covardes e ignorantes. Vemos pipocando em todos os cantos atitudes que nos remetem ao ódio, preconceito e à falta de humanidade. Aparentemente podemos ser todos humanos, mas o desenvolvimento do órgão mais importante que temos, que é o coração, esconde venenos que transformam estes indivíduos em humanoides, incompletos em sua alma e desprovidos de compaixão.

Até quando vamos prosseguir guiados por nossa indiferença, hipocrisia e omissão? Sempre critico os “ativistas de sofá” ou aqueles que compartilham veementemente críticas e mensagens de espanto diante dos fatos, como se isso fosse o bastante. Como disse Susan Bro, mãe de Heather Heyer, que morreu atropelada no protesto em Charlottesville por um neonazista: “Se você não está se sentindo ultrajado, você não está prestando atenção”. De fato, se as notícias à sua volta não o estão incomodando, é porque você está usando óculos cor de rosa.

Que tempos tristes estes em que estamos! Hoje mais pessoas foram vítimas de atentados na Espanha; e amanhã quais serão as manchetes? Onde será o próximo? É assim que será daqui para frente? Vamos assistir passivamente e permitir que o mal seja banalizado e apodreçam todas as coisas boas que nos tornam HUMANOS?
Como trazer luz para as mentes e corações destes seres desumanos? Estas são as perguntas que me acompanham e que me assombram constantemente. Meu sono tranquilo há muito já me abandonou…

Mesmo assim somos questionados constantemente sobre a motivação em trabalhar com Cultura de Paz, sobre o porquê de estarmos sempre lembrando personalidades como Gandhi, Luther King, Mandela, Madre Tereza ou nos perguntam se isso promove de fato alguma mudança.

Sei que nossas iniciativas são singelas e que atingem um grupo reduzido de pessoas, pessoas estas que, ao invés de irem ao shopping num sábado à tarde, escolhem passar seu tempo refletindo e quebrando a cabeça junto conosco, no sentido de mudar o estado das coisas. Como recuperar a confiança na humanidade? Como intervir na sociedade e colaborar na redução das violências e intolerâncias?

Quem sabe ao entramos em contato com esses seres possamos nos inspirar. Talvez ao conhecermos verdadeiros sábios, seres humanos que transformaram o mundo com seu exemplo de ética e autoridade moral, possamos sair desse torpor, dessa bolha em que entramos e da qual não queremos sair. Apesar de líderes políticos não se envergonharem de serem corruptos, ditadores, racistas, arrogantes e bélicos, engolimos todos eles sem nem mesmo expressarmos nossa revolta, nosso asco. Acabamos nos acostumando com a indigestão e voltamos a curtir cachorrinhos e a enviar mensagens intermináveis de oração pelas redes sociais, enquanto não empreendemos nenhuma ação concreta.

Recuso-me a ser conivente e a aceitar o racismo, a homofobia, a xenofobia e todas as “fobias” em geral. Prefiro trabalhar na luz, dedicar meu tempo, minha energia e inteligência tentando mudar o mundo, mesmo que isso seja utópico, desesperado e não merecedor de holofotes. Pode parecer pouco, mas, como diz o ditado: “Um pouco de algo é melhor que muito de nada”.

Temos a sincera esperança de que os ensinamentos que difundimos no Fora da Caixa possam nos fornecer um pouco de alento, uma respiração a mais, enquanto a humanidade afunda na lama da indiferença e da apatia. Não é preciso uma grande chama para iluminar o mundo. Basta que cada um mantenha a sua própria chama acesa, seu coração sensível e atento ao sofrimento de outros que são filhos, mães, irmãos, vizinhos e amores de alguém, talvez não seus, mas que poderiam ser. Vamos abrir nossos corações, elevar nossas preces e empreender em nosso dia a dia ações de gentileza, compaixão e paz. Temos a obrigação moral de eliminar a indiferença e falta de atitude em nossas próprias vidas. Temos que ser a Paz, se desejamos vê-la no mundo, lembrando que o seu mundo começa em você!

Enquanto as forças da escuridão se espalham, temos que fazer o contrapeso, temos que manter nossa chama acesa e acender tantas outras mais que conseguirmos. Nem que seja de uma em uma!

Essa é a minha motivação, missão e caminho. E a sua, qual é?
“Não há caminho para a Paz, a Paz é o caminho”. Mahatma Gandhi

Regina Proença

Revisora: Silvia Simone Anspach

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